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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservou pelo menos uma hora e meia para uma conversa civilizada com seu colega Rafael Correa, do Equador, que determinou a expulsão da empreiteira Odebrecht do país e a ocupação militar das instalações da empresa. Dois dias após o referendo popular que aprovou a nova Constituição do Equador, o Itamaraty espera que Correa desembarque na manhã de hoje em Manaus com o decreto revogado e com o diálogo já reaberto com a construtora brasileira.

A medida evitaria o desgaste de Lula ter de chamar à razão seu "irmão menor", termo usado na semana passada para se referir ao equatoriano.

Até a noite de ontem, Quito não havia dado sinais de como tratará o caso. Para o governo brasileiro, o importante é que Correa negocie com a empresa e imponha legalmente as punições necessárias para reparar os problemas na obra, mas não trate a Odebrecht como uma inimiga do Equador.

"O presidente está preocupado com a situação da Odebrecht e, sobretudo, com a situação dos funcionários, cujos direitos estão suspensos", afirmou ontem o porta-voz do Planalto, Marcelo Baumbach. "O presidente espera que as negociações entre o governo equatoriano e a empresa levem a uma solução satisfatória para ambas as partes."

Na quinta-feira, Lula qualificou as decisões de Correa como uma jogada política e eleitoral e disse que esperava um telefonema do colega, para que ambos pudessem conversar como dois "dirigentes civilizados".

Originalmente, o presidente teria no Amazonas apenas sua segunda reunião bilateral do ano com o venezuelano Hugo Chávez. Mas, há menos de um mês, o Palácio do Planalto decidiu incluir no almoço de Lula e Chávez os presidentes Correa, que na época estava em campanha pela aprovação de sua Constituição, e Evo Morales (Bolívia), que vivia o pior momento de sua crise política interna.

Com Correa, Lula evitará entrar no mérito dos problemas que provocaram o impasse com a Odebrecht, segundo Baumbach. Mas, segundo fontes do Itamaraty, o presidente não deixará passar sem cobrança a ameaça do equatoriano de dar o calote no empréstimo de US$ 240 milhões para a construção da hidrelétrica de San Francisco - obra tocada pela Odebrecht.

Com Evo, Lula deverá uma vez mais exercer o papel de "irmão mais velho" e insistir para que o boliviano não abandone as negociações com a oposição. Diante do impasse consolidado na semana passada, uma nova rodada marcada para ontem foi adiada para domingo.

Sem acerto entre a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e a Petrobrás sobre a parceria na refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco, e sem a aprovação do Congresso brasileiro à adesão plena da Venezuela ao Mercosul, Lula tentará acalmar Chávez com 11 acordos e contratos menores sobre exploração e fornecimento de petróleo.

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