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Lula diz que Temporão ficará no cargo

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ontem, depois de almoço em homenagem ao presidente da Indonésia, Susilo Banbang Yudoyono, que não vai demitir o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele fica, Temporão é meu ministro , assegurou Lula.

Valor Online |

O ministro vem sendo pressionado pelo PMDB a deixar o cargo, depois de ter dito que a Funasa - cujo presidente, Danilo Forte, foi indicado pelos deputados do partido - é um " antro de corrupção " . Apesar da crítica e de a Funasa ser a ele subordinada, o ministro não anunciou providências.

O presidente garantiu que só deixarão a Esplanada os ministros que desejarem disputar cargos nas eleições de 2010. Lula disse ainda que não marcou nenhuma reunião específica com o PMDB para discutir este ou outros assuntos. Mas disse surpreender-se com notícias que dão conta de que as relações do maior partido do Congresso com o governo não estão boas. " Veja, a minha relação com o PMDB é a melhor possível. Eu fico vendo pela imprensa, fico vendo o diz-que-diz. Para mim o que conta é a minha relação direta com o PMDB " , declarou o presidente.

Lula confirmou a intenção de ter uma conversa especial com os ministros e parlamentares pemedebistas, para " a gente ir afinando a viola nas coisas que nós temos que fazer até 2010 " . Elogiou o partido aliado. " O PMDB tem prestado serviço importante nas Pastas que dirige, portanto, desse ponto de vista nós não temos nenhum problema pela frente " .

O encontro com o PMDB terá como assunto central a sucessão nas mesas diretoras da Câmara e do Senado. Na Câmara, o PT apoiará o deputado Michel Temer (PMDB-SP). Mas no Senado, o PMDB insiste em lançar candidato próprio - o nome mais forte é o do senador José Sarney (AP). Já o PT defende que o sucessor de Garibaldi Alves seja o petista Tião Viana (AC), sob o argumento que o PMDB ficaria muito forte comandando as duas Casas do Congresso. " Tradicionalmente, o partido que tem maioria indica os presidentes da Câmara e do Senado. Nós não temos muita experiência de o mesmo partido chefiar as duas Casas. De qualquer forma, os políticos são eles, quem tem sensibilidade são eles " , esquivou-se Lula.

O presidente argumentou que não pode " ficar dando palpites " na sucessão da Câmara, da mesma forma como não pode interferir na escolha do presidente do Supremo Tribunal Federal. " Isso é uma coisa do Congresso Nacional. A Câmara e o Senado é que indicam quem serão seus candidatos. Ao presidente da República interessa que eles escolham quem melhor puder dirigir a Casa e quem puder manter uma boa relação com o Poder Executivo " .

Enquanto Lula elogiava Temporão e o PMDB, o ministro da Saúde e duas das principais lideranças do partido - o presidente Michel Temer e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) - reuniam-se no ministério para, nas palavras de Henrique Alves, " fumar o cachimbo da paz " . Os dois lados deram uma trégua na crise. Temporão disse que as palavras da semana passada foram uma reação impensada " após ter sido agredido verbalmente por uma liderança indígena " . E expôs o desejo de reformular a Funasa, transferindo para uma secretaria do Ministério da Saúde a missão de cuidar da saúde dos povos indígenas.

Por outro lado, poderia ser repassada para a Funasa, amparada pela imensa capilaridade da fundação, a tarefa de levar atendimento médico, tarefa que cabe unicamente ao SUS, aos pequenos municípios brasileiros. Outras políticas, como saneamento básico, também poderão ser administradas pela fundação. " O ministro não quer desprestigiar o trabalho da Funasa, pelo contrário. Ele quer apenas dar um novo formato à atuação da fundação. Por isso, ele deve conversar em breve com o Danilo para acertarem os ponteiros " , disse o líder do PMDB.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico)

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