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Lula diz que não trocará estômago por tanque de gasolina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou hoje a questão da alta do petróleo e dos biocombustíveis, em discurso aos seus colegas do Mercosul na reunião de cúpula na Argentina.

Redação com Agência Estado |

 

Lula rebateu as acusações de que os biocombustíveis contribuem para a alta dos preços dos alimentos. Se alguém me convencer que é o biocombustível que vai provocar a fome no mundo, não trocarei o estômago por um tanque de gasolina. Mas o que precisa é fazer um debate de extrema qualificação técnica sobre isso.

Neste sentido, o presidente disse que nos dias 20 e 21 de novembro vai convocar uma grande discussão internacional sobre essa questão do biocombustível, dos alimentos, para saber a verdade.

Sobre o petróleo, Lula disse: "Eu li uma matéria hoje que mostra que o mercado de futuros tem o mesmo estoque de petróleo que a China. Ou seja, temos duas Chinas: uma que consome petróleo e outra que especula". Ele convidou os presidentes para que iniciem uma discussão profunda sobre a realidade atual.

Lula comentou que vai participar da reunião do G-8 no próximo dia 7, no Japão. Mas, segundo ele, não queria ir para aquele país. Só vou pra ter oportunidade de dizer um pouco das coisas que disse aqui e para ver se alguém aceita discutir os problemas com a dimensão que precisa.

Produtores

"Se nós que somos países produtores - temos a primazia do xeque de Caracas (Hugo Chávez), temos o Brasil encontrando algo do petróleo e Tabaré (Vázquez, presidente do Uruguai) encontrando gás - não começarmos a discutir isso, eles (Estados Unidos, Europa e demais países desenvolvidos) vão jogar a crise da inflação e dos alimentos, outra vez, às custas dos países pobres e logo vamos ter o FMI (Fundo Monetário Internacional) dizendo que tem de fazer ajuste pesado, contenção de despesas. E nós conhecemos o resultado final dessa história: desemprego e recessão, afirmou.

"Já vivemos essa história e não queremos repeti-la, disse Lula, complementando que os países do Mercosul devem se ajudar para não serem vítimas de decisões políticas equivocadas dos países desenvolvidos. Estranhamente, se esperava que o Banco Central dos Estados Unidos fizesse um ajuste nas taxas de juros, mas não o fez. Por que? Possivelmente, porque utilizam o dólar baixo para resolver seu problema de déficit na balança comercial e seus problemas fiscais internos, disse. Temos que tomar todo o cuidado para que essa crise que estava distante oito mil quilômetros não nos ataque, afirmou.

O presidente também pediu tranqüilidade e compreensão nos próximos passos, referindo-se às negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil tem muita esperança com a Rodada Doha. Se controlarmos os subsídios, podemos dominar aquilo que podemos fazer de melhor: produzir alimentos. Temos que tomar cuidado para não permitir que o alto preço da soja seja a razão para que nossos empresários não queiram que façamos acordos. É preciso que encontremos um ponto de equilíbrio, destacou.

É preciso que tenhamos em conta o que está acontecendo no mundo, e confesso que não tenho toda a clareza do que está acontecendo, reconheceu, completando: O que eu sei é que quando os bancos europeus perdem 400 bilhões de euros na especulação e não dizem nada e toda vez que a gente pergunta pra um ministro e nos respondem que o caso não está apurado é sinal de que algo estranho se passa. Se fosse um país da América do Sul, já teria um monte de organismos com estudos prontos e dando opinião, disse.

Momento estupendo

O momento para nós é estupendo. O Brasil nunca viveu um momento como está vivendo. Há muitos anos que o Brasil não experimentava auto-estima, crescimento, produtividade. Eu acho que todos os países estão vivendo esse momento. Às vezes, tem uma crisezinha por aqui, às vezes a oposição fica nervosa, mas acreditamos que no centro estamos bem, afirmou. Por isso, temos que tomar decisões com mais clareza e objetividade, sobretudo com nossos interlocutores europeus.

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