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Lula diz que insistirá em negociações de Rodada de Doha

Rio de Janeiro, 4 ago (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a Rodada de Doha não fracassou e que o Brasil insistirá nas negociações para uma liberalização comercial, pois confia em chegar a um acordo final satisfatório para todos. Não acho que a rodada tenha fracassado. Acho que houve dificuldades, e nas dificuldades é melhor parar para repensar como continuar, assegurou no programa Café com o Presidente.

EFE |

Lula disse que é possível aproveitar os avanços obtidos até agora e, em nível político, reduzir as pequenas diferenças existentes e que impediram um acordo nas negociações realizadas no mês passado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ele acrescentou que, para alcançar o acordo, já conversou no sábado por telefone com o presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, e que aproveitará sua viagem esta semana a Pequim, onde participará da inauguração dos Jogos Olímpicos, para conversar com o chefe de Estado da China, Hu Jintao.

Além disso, Lula deve falar por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

As negociações ministeriais de semana passada em Genebra fracassaram pelas diferenças entre EUA e Índia em torno das salvaguardas agrícolas.

"Temos possibilidades enormes ainda de negociar", disse Lula.

"Eu, no sábado, falei com presidente Bush e fui muito claro dizendo para o Bush que não era possível que dois países importantes como Estados Unidos e Índia, que estão negociando um acordo nuclear, não tenham condições de fazer um acordo na questão de alimento porque é muito pouco o que tem de diferença entre eles", afirmou.

Lula assegurou que as pessoas que apostam contra o fim das negociações perderão, porque as nações vão "concluir o acordo da Rodada de Doha. Pode demorar mais um mês, mais dois meses, mas nós vamos conseguir fazer isso".

"Nós vamos continuar insistindo. Todo mundo sabe que eu sou teimoso e, portanto, nós vamos conquistar isso. É apenas uma questão de tempo", acrescentou.

O presidente lembrou que as negociações exigiram sete anos e evoluíram nos últimos anos.

Lula acrescentou que o sucesso das negociações está diretamente relacionado ao desenvolvimento dos países pobres.

"Quando nós pedíamos para que os europeus flexibilizassem no mercado agrícola para os países pobres, e quando nós pedíamos para que os Estados Unidos reduzissem os subsídios para os produtos agrícolas era porque nós queríamos que os países pobres tivessem oportunidade de vender os seus produtos nos países ricos", disse.

"Além do que, motivados, eles voltariam a produzir muito mais grãos, muito mais comida e nós possivelmente não tivéssemos vivendo uma crise de alimentos como estamos vivendo hoje", destacou o presidente.

Segundo Lula, o que o Brasil deseja "é apenas uma rodada que permita que haja justiça na sua conclusão final".

O presidente afirmou que, por enquanto, o Brasil prosseguirá as negociações comerciais em todas as instâncias multilaterais e nos acordos entre o Mercosul e a União Européia (UE).

"É uma vergonha muito grande que os países ricos subsidiem o seu produto para exportar e isso causa grandes danos à competitividade", destacou.

O governante disse que, na Rodada de Doha, o Brasil demonstrou maturidade ao aceitar um acordo nos produtos industriais e quer que as outras nações "assumam a mesma responsabilidade e risco" do país.

Ele acrescentou que, mais que econômico, as dificuldades para um acordo na Rodada de Doha têm caráter político.

"Nós temos as eleições nos Estados Unidos agora. Nós temos eleições na Índia no ano que vem e tudo isso tem implicações porque os trabalhadores agrícolas são muitos no mundo inteiro", afirmou.

EFE cm/fh/db

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