Em viagem ao Chile neste sábado, o presidente Lula explicou por que responsabilizou ¿gente branca e de olhos azuis¿ pela crise. No país andino, Lula participou da Cúpula de Líderes Progressistas, que reuniu chefes de governo e intelectuais de centro-esquerda de todo o mundo no Chile e serviu como preparatória à reunião do G20, que tem início na próxima quinta-feira.

Lula declarou que a repercussão sobre sua declaração foi exagerada, uma vez que se referia à perseguição sofrida pelos trabalhadores imigrantes no Leste Europeu.

Quem vai ser mandado embora são os latino americanos, os membros da Europa Oriental, os africanos, os indianos. Não é possível que os pobres do mundo quem não têm nada a ver com essa crise paguem o preço causado pelos ricos, complementou.

FMI

Lula chamou de "inferno" e "humilhação" o período em que o Brasil recebia visitas regulares de executivos do Fundo Monetário Internacional (FMI) com o objetivo de avaliar a evolução da economia brasileira e o cumprimento de acordos firmados pelo país com a instituição.

"Diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, contenção de gastos... era um inferno", afirmou. "A gente via descendo do avião, no aeroporto, mulheres e homens do FMI dando palpites sobre o que tínhamos de fazer. Aquilo era uma humilhação", declarou, arrancando aplausos enfáticos dos presentes em solenidade.

Petróleo

Antes de uma reunião com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, Lula se disse interessado na eventual criação de um "Fundo de Petróleo" tal como o existente naquele país.

"Agora que encontramos muito petróleo no Brasil estamos interessados em conhecer o Fundo de Petróleo que existe na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade", disse Lula.

"Esse (tipo de) fundo é importante para que utilizemos as riquezas do petróleo para ajudar nossa gente...e não apenas para queimar combustível", afirmou o presidente, que, na sequência, recordou que seus vínculos com a Noruega vêm de longa data, desde os tempos em que era um líder sindical no ABC paulista.

O modelo norueguês criado em 1990 pelo Storting (o parlamento em Oslo) para proteger o país de futuros déficits orçamentários consiste em um fundo estatal proveniente dos lucros obtidos pela empresa estatal Statoil (que em 2000 passou por um processo de privatização de 30% de sua composição).

O Fundo, investido no exterior, é o resultado do fluxo de tesouraria líquido do governo norueguês proveniente das atividades petrolíferas e dos juros obtidos com esse capital.

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