Rio de Janeiro, 2 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão próximos a um acordo para salvar a Rodada de Desenvolvimento de Doha e que esse é fundamental para resolver os problemas de migração que tanto preocupam a União Européia (UE).

"A verdade é que estamos perto. Nunca estivemos tão perto de um acordo e dissemos a todos os governantes que, se não houver acordo, não estaremos contribuindo para o fortalecimento da democracia e da paz nos países em desenvolvimento e para diminuir a imigração que tanto preocupa os europeus", afirmou Lula em um evento em Curitiba.

Ele assegurou que, pelas constantes conversas que teve com o diretor-geral da organização, Pascal Lamy, e com os líderes de vários países que são protagonistas das negociações, pode dizer que espera uma solução até 30 de julho.

O presidente acrescentou que o sucesso das negociações é a melhor alternativa para resolver os problemas de migração que tanto preocupam os países desenvolvidos e que levaram o Parlamento Europeu a aprovar medidas que foram duramente questionadas pelo Brasil.

As novas normas do bloco europeu prevêem a detenção dos imigrantes ilegais por até 18 meses em casos excepcionais, enquanto é tramitada sua expulsão da Europa, para onde não poderão voltar em cinco anos.

"A solução é que a pessoa tenha condições para trabalhar em seu país de origem para que não tenha que migrar a outro país", afirmou Lula.

Para isso, acrescentou, as negociações da OMC têm que garantir que os produtores agrícolas das nações em desenvolvimento tenham acesso aos mercados dos países ricos.

"O Brasil tem uma posição muito clara. Todos os anos falo com os dirigentes dos maiores países do mundo e que pagam para subsidiar agricultores que não produzem para que flexibilizem, para que os países pobres possam ingressar em seus mercados", disse.

"Também queremos que os Estados Unidos diminuam os subsídios para que produtos das nações emergentes entrem nesse país", afirmou o presidente.

"Em contrapartida estamos dispostos (os países em desenvolvimento) a flexibilizar em produtos industriais desde que isso não signifique bloquear o crescimento de nossa indústria", acrescentou.

"Temos uma preocupação enorme com a indústria dos países em desenvolvimento, que começou a se desenvolver agora, e não podemos fazer concessões que atentem contra o crescimento da industrialização dos pobres", afirmou.

Lula reiterou seu otimismo com a possibilidade de um acordo e disse que os negociadores "estão na fase final de definição de percentuais".

Sobre as preocupações dos países ricos com os imigrantes, o presidente lembrou que o Brasil recebe estrangeiros desde 1500 e nunca teve problemas. EFE cm/db

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