O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar em uma melhora da economia brasileira a partir do segundo trimestre e reafirmou que o País fechará o ano com crescimento. Estou convencido que, no segundo trimestre do ano, (a economia brasileira) vai se recuperar um pouco mais e vai chegar ao final do ano com uma taxa positiva de crescimento, disse em entrevista à rede de televisão CNN, gravada em 16 de março e exibida hoje.

"Não vai ser a mesma taxa de crescimento que gostaríamos, o crescimento que projetávamos de mais de 5%. Ninguém imaginava que um banco como o Lehman Brothers iria para a falência como foi. Agora precisamos de novas decisões políticas que dependem muito do governo dos Estados Unidos e vão depender muito dos governos dos países ricos", afirmou.

Durante a entrevista, o presidente brasileiro também chamou de "escândalo" o pagamento de bônus aos executivos da AIG e traçou paralelos entre si mesmo e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Lula lembrou seu discurso de posse no primeiro mandato, dizendo que, sendo Obama o primeiro presidente negro dos EUA, e Lula um ex-operário, o americano também "não pode errar" no governo.

Ao relatar o encontro que teve com Obama, no dia 14 de março, na Casa Branca, Lula disse que "este país aqui (EUA), tendo eleito um presidente negro na forma como Obama foi eleito, superando todas as barreiras internas e externas, eu disse (para Obama) que ele não pode errar. Acredito que Deus não colocou ele lá por nada, mas porque algo importante vai acontecer neste país". O presidente brasileiro então comparou a eleição de Obama com a sua própria: "Se um operário eleito para a Presidência fracassa, nunca será eleito presidente novamente, pois ele será vítima de preconceito".

Lula relatou ainda sua reação ao assistir à posse do presidente dos EUA. "Você não sabe o quão feliz eu estava assistindo a posse de Obama pela televisão no Brasil. Eu nunca vi uma posse de presidente dos EUA antes na qual havia tantas pessoas pobres participando como naquele dia, nunca. Aquilo me emocionou muito. Eu fiquei emocionado pois sei o que pobreza é. Sei como é sofrer com enchentes e ficar desempregado", afirmou durante o programa, veiculado em inglês e gravado quando Lula participou de seminário em Nova York.

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