O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou ontem de abominável e irresponsável a versão de que o governo estuda autorizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações da Petrobrás para reforçar os investimentos na companhia na exploração das jazidas do pré-sal. Em Nova York, onde participa hoje da Assembléia Geral das Nações Unidas, Lula afirmou que nem sequer pensou no assunto e a divulgação da notícia - no domingo, na Folha de S.

Paulo, "prejudica o País".

No domingo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em entrevista à rádio CBN, havia confirmado esses estudos. Há sinais que a idéia de fato circulou pela Esplanada dos Ministérios. Ainda no domingo, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que já havia ouvido essa informação em conversas com integrantes do governo. No mesmo dia, outros técnicos admitiram que essa era uma possibilidade, uma especulação. Mas dois ministros consultados pelo Estado disseram desconhecer o assunto.

Lula teve a oportunidade de desfazer o mal-entendido também no domingo. Ele foi indagado sobre o assunto durante a sua passagem pelo velório do sindicalista Eleno Bezerra e se recusou a comentá-lo. Ontem, o tom era outro.

"Eu acho abominável alguém fazer uma manchete irresponsável daquele jeito, sem nunca ter conversado comigo e sem que eu nunca tivesse sequer pensado na idéia. Eu fiquei surpreso quando vi a matéria e acho isso irresponsabilidade. Eu acho irresponsável porque isso mexe com o mercado, mexe com ações, por uma coisa que eu nunca falei", declarou.

O desmentido de Lula não causou impacto nas ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que ontem se valorizaram em decorrência do aumento do preço internacional do petróleo. Mas provocou preocupação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que informou ontem ter iniciado análise das informações prestadas pela Petrobrás sobre o uso do FGTS para financiar, em última instância, seus investimentos no pré-sal.

Na noite de anteontem, na Base Aérea de São Paulo, o presidente pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que desmentisse a notícia. A ordem foi cumprida ontem. "O presidente me pediu para desmentir a notícia do jornal Folha de S. Paulo de que o governo estuda permitir o uso do FGTS para capitalizar a Petrobrás na exploração do pré-sal", afirmou o ministro, por meio da nota.

Em sua crítica ao procedimento da imprensa, Lula disse que, para a divulgação de uma notícia "dessa magnitude", seria necessário antes consultar o Ministério da Fazenda ou o do Planejamento, o presidente do Banco Central ou "o ministro do Trabalho, que é quem administra o dinheiro do FGTS".

Ele não considerou que a confusão cresceu justamente quando Lupi foi consultado sobre o assunto. O Ministério do Trabalho tentou serenar a polêmica. Segundo Max Monjardim, assessor de imprensa, Lupi não havia confirmado os estudos, mas apenas defendido a idéia.

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