Jacarta - A produção de biocombustíveis não é, de forma alguma, responsável pela disparada dos preços dos alimentos no mundo, disse neste sábado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Jacarta.

Ele sugeriu como solução ao problema que sejam dados incentivos aos países em desenvolvimento para que cultivem alimentos. "O etanol da produção de biocombustíveis não é o vilão que ameaça a segurança alimentar", disse Lula na Indonésia, após conversar com o presidente Susilo Bambang Yudhoyono.

O Brasil e a Indonésia são grandes produtores de cultivos utilizados na geração de biocombustíveis. Lula afirmou que a especulação é a causa principal da atual crise e disse que a China também é injustamente acusada. Ele propôs a distribuição de incentivos entre países pobres para que elevem a produção de alimento de forma a reduzir os preços. Ele não deu detalhes.

A Indonésia espera que a produção de biocombustíveis, sobretudo de óleo de palma, seja o pilar de seu desenvolvimento econômico. Milhões de dólares foram investidos por empresas locais e estrangeiras em novas plantações e fábricas processadoras.

Yudhoyono disse que o governo enviará ao Brasil um grupo de especialistas para ampliar seus conhecimentos sobre a produção de biocombustíveis.

Os combustíveis elaborados com cana-de-açúcar, milho e outras plantações são considerados como uma alternativa para enfrentar a mudança climática e os altos preços del petróleo.

No ano passado, a União Européia (UE) aprovou um plano para que os biocombustíveis representem 10% dos combustíveis dos veículos em 2020. Ativistas ambientalistas, grupos internacionais e alguns países têm dúvidas sobre os benefícios dos chamados "combustíveis verdes", pois temem que se acelere o aquecimento global com o desflorestamento para abrir novas áreas de cultivo.

Teme-se também o encarecimento dos produtos por causa da ocupação das terras destinadas à produção de alimentos.

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