O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta terça-feira em Roma que a cúpula do G-20, que acontece no próximo sábado em Washington, será apenas o começo da elaboração de respostas para a crise financeira mundial, e dificilmente terminará com medidas concretas.

"Não há um diagnóstico exato da crise. Não esperem muito do G-20, é apenas um começo, ainda que promissor. Antes, quem se reunia era o G-8 (os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), agora é o G-20 que vai tomar decisões. São doze ou treze países a mais, entre eles a Espanha", declarou Lula em uma mesa redonda com os líderes dos três maiores sindicatos italianos.

"A crise do setor financeiro já contamina a economia real, gera desemprego no mundo todo. É a fase mais perversa da globalização", disse Lula.

"Esta crise nasceu da anarquia generalizada dos mercados. Os que nos criticavam ontem hoje estão batendo na nossa porta. Precisamos reconstruir as bases da economia mundial, refundar o sistema financeiro", acrescentou.

Lula se referia às expectativas dos países industrializados de que as grandes economias emergentes desenvolvam seus mercados internos, garantindo uma certa vitalidade para a alquebrada atividade econômica da Europa e dos Estados Unidos.

A cúpula do G-20 reunirá exatamente os líderes das maiores potências econômicas, assim como dos principais países emergentes do planeta.

"Esta crise", continuou Lula, "é o resultado da irresponsabilidade de uma parte do mundo financeiro, não é preciso ser economista para entender isso".

O presidente brasileiro indicou que defenderá as reuniões da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) na cúpula do G-20, porque "se antes isso era uma oportunidade, hoje é uma necessidade".

Além disso, prometeu que seu país fará "tudo o que for necessário" para que a crise "não afete o trabalhador e seu salário".

Lula, que na segunda-feira começou uma visita oficial de três dias à Itália, se reunirá nesta terça-feira com o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, que apóia a ampliação do G-8 a grandes economias emergentes como Brasil, México, China e Índia.

Na quinta-feira, o presidente brasileiro será recebido pelo Papa Bento XVI.

Em relação aos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta terça-feira, em Roma, que a eleição de Barack Obama é um fato histórico significativo.

"Não é pouca coisa que os Estados Unidos tenham eleito um negro como presidente da República. Como também não foi pouca coisa que tenha sido eleito um torneiro matalúrgico no Brasil, um índio na Bolívia e um bispo católico no Paraguai", declarou Lula durante mesa-redonda com sindicalistas italianos.

"A eleição Obama foi uma das conseqüências da crise. Inteligente como é, sabe que, se a crise não for resolvida, isso será responsabilidade dele", acrescentou.

"É importante que o movimento sindical, o povo, elabore propostas para encontrar um novo sistema econômico mundial, com outras instituições multilaterais, porque as de agora não representam o século XXI", declarou.

Lula defende a criação de uma "nova ordem" econômica mundial que seja mais humana e dê prioridade aos assuntos sociais, e reclama mais espaço para o Brasil e os países emergentes nos grandes foros de consenso econômico e diplomático.

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