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Durante o discurso de saudação ao presidente do Mali, Amadou Toumani Touré, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar os subsídios concedidos pelos países desenvolvidos a setores agrícolas. "Na luta por um regime multilateral de comércio mais justo e equitativo é fundamental abolir os subsídios distorcivos dos países ricos", disse o presidente.

Durante o discurso de saudação ao presidente do Mali, Amadou Toumani Touré, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar os subsídios concedidos pelos países desenvolvidos a setores agrícolas. "Na luta por um regime multilateral de comércio mais justo e equitativo é fundamental abolir os subsídios distorcivos dos países ricos", disse o presidente. Segundo ele, o Brasil e o Mali são aliados contra os que pregam o livre comércio mas praticam o protecionismo."Somos contra os que despejam bilhões de dólares no mercado internacional, em benefício de poucos, e em detrimento de milhares de agricultores pobres. É esse o propósito da nossa disputa na OMC", afirmou Lula, referindo-se ao subsídio do governo dos Estados Unidos aos produtores de algodão.<p><p>"Somente abolindo subsídios teremos êxito em fazer das negociações de Doha uma verdadeira rodada do desenvolvimento", afirmou, referindo-se à discussão em torno da redução das barreiras comerciais. Para o presidente,a conclusão da Rodada Doha é imperativo para a promoção do desenvolvimento dos países mais pobres e vulneráveis. "É inaceitável que as nações ricas protelem os resultados de quase uma década de negociações. Mas são necessários, também novos paradigmas na cooperação internacional", defendeu.<p><p>Ele destacou a experiência pioneira de intercâmbio com o Mali, na colheita de algodão, que conseguiu transformar o cerrado em celeiro nacional e tem excelentes perspectivas de se repetir nas savanas africanas. "Essa mesma convicção leva o governo do Mali a apostar na cooperação em biocombustíveis. O Brasil assim como o Mali dispõe de todas as condições para diversificar sua matriz energética e reduzir a importação de derivados de petróleo, custosos e poluentes", afirmou. Segundo ele, essas experiências devem ser ampliadas em maio, em Brasília, quando será realizado o diálogo Brasil e Países Africanos sobre segurança alimentar, combate à fome e desenvolvimento rural.<p><p>O presidente do Mali não poupou elogios ao presidente brasileiro, particularmente na questão do fim do protecionismo dos países ricos aos produtores do algodão. "A África nunca esquecerá a sua ajuda contra o subsídio do algodão", afirmou Touré. "O senhor foi a voz daqueles que não têm voz", acrescentou. "Por causa disso não te chamamos de presidente; te chamamos de Lula", disse, sob aplausos.
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