Após assinatura de sete acordos entre os três países do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que os efeitos da crise financeira mundial podem atingir o Brasil e os demais países integrantes do Ibas. A crise pode chegar aos países emergentes? Pode, se houver uma recessão profunda, porque os nossos países são vendedores, e eles, compradores.

Por isso, precisamos diversificar nossos parceiros (no comércio exterior) e fortalecer o mercado interno."

Lula defendeu a união dos países do Ibas para que possam, juntos, encontrar mecanismos de enfrentamento da crise. Entre as medidas tomadas na reunião de Nova Délhi, Lula afirmou que é "urgente e necessário" que os ministros da Fazenda, os presidentes dos bancos centrais, os ministros da Indústria e Comércio e os ministros das Relações Exteriores dos três países se reúnam o mais rápido possível para a adoção de uma posição comum.

Em entrevista à imprensa, o presidente brasileiro afirmou que espera que, agora, "o FMI (Fundo Monetário Internacional) diga aos Estados Unidos que é preciso ter uma regulamentação do sistema financeiro e que os bancos centrais, reunidos na Basiléia (Suíça), determinem que é proibido que um banco de investimentos não tenha limites para alavancagem." Ele acrescentou que "se os países ricos fizerem agora o que fizemos ontem, a economia voltará à normalidade."

Lula disse que é preciso, ainda, que os países do Ibas conversem com os amigos da União Européia (UE) e dos Estados Unidos para pedir "que eles façam logo o que têm de fazer para que os efeitos da crise não cheguem aos países pobres, que não participaram da ciranda financeira, que não foram ao cassino." O presidente reiterou seu apelo para que a UE e os EUA regulamentem o seu sistema financeiro. Ele lembrou que, em setembro de 2007, ele próprio falou pela primeira vez sobre o a crise das hipotecas de segunda linha (subprime).

"Já estamos em outubro de 2008, e somente nas duas últimas semanas os principais líderes da União Européia e dos Estados Unidos assimilaram que tinham uma crise em seus países", afirmou. "É inadmissível", segundo Lula, que esses países "tenham levado um ano para ver a crise em seus países, porque poderiam ter tomado medidas há cinco meses, seis meses, ou um ano e terem evitado esses problemas".

Ibas

Na defesa da união dos países do Ibas e da necessidade de diversificação de mercados, Lula disse que Brasil e Índia, por exemplo, não exploram nem 10% do seu potencial de mercado e "muito menos" a África do Sul. "O que temos de fazer agora é cuidar com mais carinho da nossa economia, fortalecer o mercado interno e não paralisar as obras importantes de infra-estrutura e esperar que o dinheiro que está escondido apareça para dar liquidez ao sistema financeiro."

Lula afirmou que Índia, Brasil e África do Sul já fizeram a primeira tarefa que os países emergentes têm de cumprir no combate à crise. "Nós já fizemos, e as nossas economias estão estabilizadas, todos temos reservas, superávits, saldos positivos, e todos controlamos o nosso sistema financeiro. Portanto, a primeira parte nós já fizemos, e a segunda parte é não permitir que a crise chegue aos nossos países."

Na avaliação do presidente, é preciso "ousadia" para enfrentar a crise, assim como é preciso maior entrosamento do fluxo comercial dos países emergentes, aumento do mercado interno, além de continuar cuidando da estabilidade econômica dos seus países.

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