O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, em entrevista à imprensa em Manaus, que a crise financeira mundial exige juízo e responsabilidade para que as economias continuem em rota de crescimento. Mantendo o tom que alimentou na última semana, Lula insistiu que não seria justo para o Brasil e para as economias menores serem sacrificados porque o sistema financeiro portou-se como um cassino internacional.

"Nós fizemos a lição. Eles (os Estados Unidos), não, e passaram as últimas três décadas nos dizendo o que tínhamos de fazer", afirmou Lula. "Por ironia do destino, a crise agora é dos países ricos, e os países emergentes é que estão sustentando o crescimento econômico mundial", completou.

Lula novamente admitiu que a crise financeira americana é "muito séria e tão profunda, que não sabemos o seu tamanho". "Talvez, seja uma das maiores que o mundo já enfrentou", avaliou. O presidente, entretanto, fez questão de diferenciar a situação econômica mais favorável do Brasil neste momento que há cerca de dez anos, quando o mundo enfrentou várias crises seguidas, com impactos profundos sobre as economias emergentes fragilizadas. Agora, apesar do risco de uma recessão mundial, o presidente acredita que o Brasil está mais precavido porque fez sua "lição de casa". "Os EUA espirravam, e o Brasil e a Venezuela pegavam pneumonia", afirmou, em referência às turbulências dos anos 90. "Nós agora estamos em situação mais tranqüila", completou.

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