BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta sexta-feira que o país teve forte alta nas demissões em dezembro passado e confirmou que se reunirá com representantes de centrais sindicais para discutir essa questão na próxima segunda-feira, dia 19. Os sindicalistas suspenderam por dez dias as negociações com os empresários para evitar mais dispensas.

"Quero saber o que eles [sindicalistas] estão pensando para saber o que o governo, os empresários e os sindicatos podem fazer conjuntamente para evitar que uma crise financeira nos Estados Unidos venha trazer prejuízos para o povo brasileiro", disse o presidente em Ladário, Mato Grosso do Sul, após encontro com o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Lula afirmou que algumas empresas conseguiram fazer acordos "mais qualificados" com seus empresários, citando, como exemplo, as montadoras francesas Peugeot e Renault.

Apesar das medidas adotadas, Lula disse que o governo ainda tem de resolver a questão da falta de crédito. Ele explicou que 30% do crédito das empresas brasileiras eram provenientes do exterior. Com a crise financeira culminando nos países ricos, elas recorreram ao sistema financeira nacional, que não conseguiu dar conta da demanda maior.

O presidente Lula reafirmou que anunciará novas medidas até o final do mês para estimular o consumo e evitar o desemprego. "Vamos trabalhar atentamente para que o Brasil saia perfeitamente bem dessa crise", garantiu.

Lula também disse que a crise financeira mundial não deve ser motivo para os empresários tomarem medidas precitadas. "A crise é motivo de preocupação, mas não pode ser motivo de nenhuma precipitação nem do governo e muito menos dos empresários", disse Lula.

Apesar de declarar ser comum o aumento de demissões no final do ano, Lula admitiu que levantamento oficial deve constatar uma média acima do comum, de cerca de 600 mil dispensas em dezembro. O número ultrapassa a média de 300 mil a 400 mil na série histórica do mês.

Os números oficiais referentes ao último mês do ano, reunidos pelo Ministério do Trabalho no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), deverão ser divulgados também na segunda-feira.

Lula ponderou que a geração de empregos em 2008 ficou bem acima do que é normalmente registrado, citando que em outubro foram gerados 2,1 milhões postos de trabalho.

O presidente disse que pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para solicitar à montadora de veículos GM que pague os salários referentes a março aos funcionários dispensados. Segundo Lula, ele foi informado que os empregados demitidos teriam contratos vencendo em março.

Ele determinou ainda que os ministros do Trabalho, Carlos Lupi, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, elaborem relatório sobre quais setores estão demitindo mais no país e os motivos.

Lula citou, entre as medidas medidas tomadas pelo governo para minimizar os impactos da crise, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular a venda de carros e a compra de parte do Banco Votorantim, detentor da maior carteira de carros usados do país, pelo Banco do Brasil.

(Com informações da Agência Brasil)

    Leia tudo sobre: lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.