O governo brasileiro iniciou nesta quinta-feira uma espécie de retaliação contra as ameaças do presidente do Equador, Rafael Correa, à permanência da Petrobras no País e também à sua decisão de expulsar a construtora Norberto Odebrecht. http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/10/08/equador_rejeita_proposta_e_expulsa_odebrecht_1990944.html target=_topEquador rejeita proposta e expulsa Odebrecht

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Uma nota divulgada pelo Itamaraty informa que, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi cancelada a ida a Quito de uma missão chefiada pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, no próximo dia 15. Essa missão teria objetivo de tratar do apoio financeiro brasileiro a obras de infra-estrutura viária naquele país.

A nota informa que o embaixador do Brasil em Quito, Antonino Marques Porto e Santos, deve transmitir à chancelaria do Equador que essa atitude se deve aos "últimos desdobramentos envolvendo empresas brasileiras (...), que contrastam com a expectativa de solução favorável quando do recente encontro entre os dois presidentes em Manaus". O encontro entre Lula e Rafael Correa ocorreu no último dia 30, em Manaus.

Esta é a primeira vez que o governo Luiz Inácio Lula da Silva explicita uma reação concreta à atitude de um governo vizinho contra interesses brasileiros. No caso da nacionalização das refinarias da Petrobras pela Bolívia, o governo agiu de maneira mais discreta.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, teve encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto para tratar das recentes decisões tomadas pelo governo do Equador que afetam duas empresas brasileiras que investem naquele país - a construtora Norberto Odebrecht e a Petrobras.

Histórico 

O impasse entre o governo equatoriano e a construtora começou no dia 23 de setembro, quando Correa assinou um decreto ordenando o embargo dos bens da Odebrecht, a militarização de todas as obras em andamento e proibição de que funcionários da empresa deixassem o país. 

Logo depois do início da crise, o presidente do Equador ameaçou não pagar o empréstimo de mais de US$ 200 milhões concedido pelo BNDES para o financiamento das obras da central hidrelétrica San Francisco, por considerar que a dívida é da construtora com o governo brasileiro. 

Com uma potência prevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% da energia do país, a central San Francisco foi construída pelo Consórcio Odebrecht - Alstom - Vatech (empresas europeias) e inaugurada em junho de 2007. 

A partir de junho de 2008, a San Francisco começou a apresentar falhas e logo depois foi fechada, o que, de acordo com o governo equatoriano, coloca em risco o abastecimento do país e poderia ocasionar apagões de energia. 

A construtora brasileira Odebrecht afirmou que, durante seu primeiro ano de funcionamento, a usina hidrelétrica operou sob a responsabilidade do governo do Equador, com capacidade superior à que havia sido projetada.

Um dia após conversar em Manaus (AM) com o presidente Lula, em 30 de setembro, Correa ameaçou expulsar do Equador também a Petrobras por não ter chegado a um acordo com o governo sobre aumento da produção e dos investimentos.

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