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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil não quebrou e não vai quebrar por causa da crise financeira internacional. Em discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, Lula afirmou que a origem da crise é o sistema financeiro que ousou vender o que não tinha.

Para ele, ou o mercado financeiro muda, para que os Estados possam regulá-lo, ou outras crises virão.

Na visão dele, o pior da crise financeira já passou. Mas ele desejou que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, aja rápido para resolver a crise. "Se em um ano ele não resolver, vão debitar o problema na conta dele. Obama acaba de ser eleito e tem força política para resolver a crise."

Lula também ressaltou que a situação brasileira é diferente de outros países, especialmente dos países desenvolvidos. Ele observou que a situação fiscal, as reservas, o potencial de investimentos do Estado são motivos para avaliar que os efeitos da crise serão diferentes no Brasil. "Enquanto os outros ficaram como uma cigarra cantarolando, nós estávamos como formiguinhas aqui fazendo nossas reservas. Por isso, estamos bem", afirmou.

Pacote

O presidente voltou a descartar a edição de um pacote econômico semelhantes aos adotados em governos anteriores. "Não haverá possibilidade de pacote econômico daqueles que estavam acostumados a acontecer", afirmou o presidente, ao defender as medidas anunciadas hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que definem mais prazo para o pagamento de alguns impostos federais.

O presidente disse que está conversando com todos os setores da economia para "que o governo não dê um tiro no pé" com as medidas que vem adotando para enfrentar a crise financeira. Ele fez um apelo a sua equipe, a empresários e a lideranças de classes para que o próximo ano seja positivo na área econômica. "A gente não pode ficar choramingando ou torcendo contra nós mesmos", disse.

Consumo e crédito

O presidente aproveitou seu pronunciamento para dar um recado às entidades de classe que vêm ameaçando o governo com greves para obter reajustes salariais. "Em época de crise, não tem greve, contratações, aumento real de salário. É época de apertar o cinto. Todo trabalhador sabe que perde com a crise", afirmou.

Lula também fez um apelo para que os consumidores continuem comprando para que as indústrias continuem produzindo e não mandem trabalhadores embora. "Se, por medo, as pessoas deixarem de comprar suas casas, deixarem de trocar de televisão, aí será um problema", observou.

Lula avaliou que a falta de crédito no Brasil é maior do que deveria ser. "É claro que há um processo de desconfiança, mas tomamos medidas, como a liberação do compulsório", explicou. Ele disse que é para manter o consumo aquecido que ele "vende otimismo".

Ao encerrar o discurso na reunião do "Conselhão", Lula disse que quem apostar em crescimento muito baixo do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 "pode quebrar a cara".