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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitou hoje a cerimônia para assinatura de contratos da Petrobras para investimentos no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) para afirmar que o Brasil está perdendo sua mania de subserviência. Ele exemplificou sua afirmação com o fato de ter deixado para o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, as tratativas e recepção à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

"Houve um tempo em que éramos tratados como se fôssemos lixo, como se fôssemos vira-latas. Ainda vi esses dias o que é subserviência quando veio a Hillary Clinton. Vi algumas pessoas da imprensa dando tratamento para ela como se eles não fossem ninguém. É engraçado porque a imprensa queria saber se eu ia tratar de tal assunto com a Hillary. Eu disse não, quem vai tratar com ela é o Celso Amorim. Vou recebê-la numa deferência porque ele pediu. Mas a conversa é de ministro com ministro. Quando for o Obama, converso com ele", disse Lula.

O presidente destacou ainda que esta subserviência não estava somente na cabeça do povo antigamente, mas principalmente era ditada pela postura dos governantes. "Qualquer pessoa se achava no direito de dar palpite sobre o Brasil, e o que é mais grave as autoridades brasileiras baixavam a cabeça", disse, completando que hoje o "povo brasileiro está aprendendo a se dar respeito". Para Lula, "há uma diferença entre o que o Obama disse e o que acontece neste País. Eu não sou 'o cara'. Eu sou o presidente da República que governa o País de 190 milhões de caras".

Ainda sobre as relações internacionais, Lula citou que tem a visão de que o País tem de crescer junto com os seus vizinhos e também apoiar os países menores e mais pobres. Exemplificando, ele citou o "quase" estremecimento das relações com a Bolívia por causa da crise do gás cinco anos atrás. "Tinha uma turma que queria que eu brigasse com o Evo Morales (presidente boliviano). Mas eu pensava que, primeiro, não é correto que um país grande e rico brigue com um país que é menor e pobre. Segundo, que não posso brigar porque o gás é deles. E terceiro, que não posso conceber um metalúrgico brigando com um índio boliviano". Lula lembrou que hoje "já estamos quase esnobando porque não queremos mais comprar". "Mas temos que honrar contrato. Nós queremos distribuir as oportunidades. Temos que crescer todos juntos."

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