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Lula ataca omissão de EUA e Europa na crise global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem sérias críticas aos Estados Unidos e à União Européia pelas reações apáticas diante da recessão econômica americana e pelas análises equivocadas sobre o impacto da especulação financeira nos preços do petróleo e dos alimentos. Lula valeu-se da 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, em Tucumán (Argentina), para buscar o apoio da vizinhança sul-americana e fazer um inesperado discurso, de 20 minutos, sobre os riscos de apenas as economias em desenvolvimento pagarem os custos da uma possível crise econômica mundial.

Agência Estado |

Sua fala foi uma espécie de ensaio geral das posições que o presidente brasileiro defenderá nos próximos dias 7 e 8 de julho, em Hokkaido, no Japão, diante dos líderes das sete economias mais ricas do mundo e da Rússia - o chamado G-8.

"Nós temos de tomar todos os cuidados para não permitir que essa crise, que estava no mínimo a 8 mil quilômetros de distância, se transforme numa crise nossa. Precisamos ter muita maturidade e muita compreensão nos passos que vamos dar daqui para a frente. Se não começarmos a discutir essas coisas enquanto temos tempo, eles (os países mais ricos do mundo) vão jogar, com todos os discursos que estamos vendo, a crise da inflação e dos alimentos nas costas dos países pobres outra vez", alertou Lula no encontro do Mercosul, no qual estavam presentes os líderes da Bolívia, do Chile e da Venezuela e representantes do Peru e do México. "Logo, muitos países receberão missões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dizer que têm de fazer ajuste fiscal, que é preciso contenção de despesas. Nós já sabemos o resultado dessa história, que é a recessão, o desemprego e a diminuição da qualidade de vida das pessoas. Nós já vivemos essa história e não temos nenhuma obrigação de repeti-la."

"Há muita coincidência entre a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos, que envolveu muitos bancos europeus, e (o fato) de que, em nenhum momento, eles assumiram qualquer responsabilidade", afirmou. "Parece que a crise não aconteceu. Parece que os bancos europeus não perderam dinheiro. E, até agora, o FMI não deu nenhum palpite para os americanos consertarem a sua economia." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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