(acrescenta final da visita com declarações de Lula e mais dados) Jordi Calvet Hanói, 10 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu hoje a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Vietnã com a assinatura de quatro acordos de cooperação e o impulso dado ao comércio bilateral, cujo valor deve chegar a US$ 1 bilhão em 2010.

"Os números ainda não fazem justiça ao potencial de investimento de nossas trocas e investimentos. O comércio está limitado a um número reduzido de produtos, em sua maioria, de baixo valor agregado", assegurou Lula perante o Fórum Empresarial Brasil-Vietnã.

A balança comercial entre ambos os países aumentou de maneira constante nos últimos anos e passou de US$ 113,8 milhões em 2005 para US$ 204 milhões em 2006 e para US$ 323 milhões em 2007.

O presidente disse que se trata de "um momento propício para aprofundar as relações", particularmente em biocombustíveis, construção, agricultura e energia, e anunciou a assinatura de um memorando de entendimento entre os bancos centrais do Brasil e do Vietnã.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou o "interesse" mostrado pelos vietnamitas na compra de aviões de fabricação brasileira para uso civil e militar, e em potencializar a cooperação em setores como o energético, o petrolífero e o agrícola.

Depois de se reunirem no Palácio da Presidência de Hanói, Lula e seu colega vietnamita, Nguyen Minh Triet, presenciaram a assinatura de quatro acordos em ciência e tecnologia, esportes, luta contra a pobreza e outro que protege os interesses de ambas as nações mediante a criação de uma comissão mista governamental.

"Os memorandos que assinamos hoje representam os alicerces legais que abrem caminho para que nossas relações sejam fortalecidas (...).

Os dois países estão distantes geograficamente, mas compartilham de uma estreita irmandade", destacou o governante vietnamita.

Triet expressou sua determinação para fazer com que as relações com o Brasil abranjam todos os âmbitos, tanto o econômico quanto o de cooperação e investimentos, e aceitou o convite feito por Lula para visitar o país "o mais rápido possível".

Lula fez um apelo às autoridades vietnamitas para "trabalharem unidas" a fim de liberalizar o comércio internacional como forma de conseguirem maiores benefícios para os países em desenvolvimento.

Ele também apontou a necessidade de intensificar os contatos bilaterais para defender os interesses comuns nos fóruns internacionais, principalmente perante a "insegurança alimentícia e energética" provocada pela alta dos preços.

"Temos a convicção de que os problemas globais não podem ser resolvidos só pelos grandes países", afirmou Lula, que antes do Vietnã esteve na Cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais ricos do mundo e a Rússia), realizada no Japão.

Alguns empresários brasileiros que participaram do fórum mostraram um otimismo mais moderado e, apesar de terem elogiado o encontro financeiro como mecanismo de aproximação com o país asiático, ressaltaram que melhorias são necessárias.

"O Vietnã precisa melhorar sua infra-estrutura básica para poder exportar com maior valor agregado e aqui é onde há oportunidades para o Brasil", explicou à Agência Efe o consultor Milton Nebuya.

Ele também opinou que o comércio bilateral requer esforço para fomentar o conhecimento mútuo de dois países que "ainda estão psicologicamente muito afastados".

As reuniões de Lula com o presidente vietnamita e membros do Governo e do Legislativo, entre outros, estiveram emolduradas com declarações de mútua simpatia.

Lula lembrou a "luta" do Vietnã por sua independência e afirmou que o país "merece o respeito da Humanidade".

"Fiquei tão orgulhoso da vitória vietnamita quanto os próprios vietnamitas (...) foi a vitória dos oprimidos. E nós nos sentimos co-participantes", apontou Lula.

Por essa razão, o presidente aproveitou sua visita ao país para saudar o general Vo Nguyen Giap, de 98 anos, estrategista da vitória vietnamita sobre a França e os Estados Unidos.

"Não podia partir do Vietnã sem visitar o general. Fiquei muito emocionado", afirmou Lula, na saída da casa onde o veterano militar mora, em Hanói.

Lula viaja hoje à noite ao Timor-Leste, onde fará na sexta-feira uma visita oficial de algumas horas antes de seguir viagem rumo à Indonésia, última escala de sua visita à Ásia, que será concluída em 12 de julho. EFE jpc/ab/db

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