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Em reposta às críticas em torno do uso da camada do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou ontem que o Brasil não vai exportar óleo cru retirado das novas reservas, mas produtos com valor agregado, como a gasolina premium. O Brasil, disse, vai aproveitar essas reservas para recuperar a indústria naval brasileira e desenvolver outros setores econômicos.

Num discurso inflamado no 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade, o presidente afirmou que as novas reservas da camada de pré-sal representam para o País um novo momento de independência. "Queremos produzir com valor agregado. Vamos ter refinarias para produzir gasolina premium para exportar para a Europa e para os Estados Unidos. Não vamos ser exportadores de óleo cru", afirmou o presidente, que foi muito aplaudido.

Lula procurou garantir que os recursos não serão desperdiçados. "Queremos aproveitar esse petróleo para recuperar a indústria naval brasileira", disse. O presidente ressaltou que será preciso produzir sondas para exploração do petróleo, plataformas e 200 navios. Ele citou que uma única sonda de perfuração custa US$ 700 milhões e o Brasil terá de produzir 38 delas.

"Eu não sei quantos barris de petróleo nós temos a sete mil metros de profundidade. Eu só sei que é muito mais do que as reservas atuais que o Brasil tem", disse. Lula adiantou que no próximo dia 2 de setembro fará a primeira extração de petróleo do pré-sal, algo como 10 mil a 15 mil barris, no Espírito Santo. Em março de 2009, será a vez de Tupi.

Otimista e bem-humorado, o presidente disse que a camada do pré-sal vai proporcionar algo fantástico: "Gerar mais garantias à estabilidade econômica do Brasil." Na avaliação dele, "as pessoas" vão olhar com mais respeito para o País, surgirão mais empresas, haverá mais salários e mais emprego.

COMISSÃO

Em Brasília, os ministros que integram a comissão que discute o novo marco regulatório para o petróleo analisaram ontem os modelos de exploração existentes no mundo: concessão, partilha e prestação de serviços. Eles ouviram exposições sobre cada um desses modelos, sem tomar decisões. Segundo um participante da reunião, haverá mais um ou dois encontros meramente informativos, como o de ontem. A partir da semana que vem, a comissão começará a elaborar a proposta que será apresentada ao presidente Lula até próximo dia 19.

Não foi discutida a hipótese de o governo desapropriar áreas de exploração de petróleo vizinhas ao pré-sal, já concedidas à Petrobrás.

O tema veio à tona depois que o jornal O Globo publicou entrevista com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitindo a possibilidade de desapropriação, mediante indenização. Ao Estado, o ministro afirmou que ocorrera um mal-entendido, pois estaria falando de modelos existentes no mundo, e não em decisões do governo. Ele frisou que o País tem tradição em honrar contratos.

Embora os integrantes da comissão não tenham batido o martelo sobre nenhum modelo, especula-se nos bastidores que a opção preferida para o petróleo do pré-sal é o de partilha da produção. Nesse modelo, uma parte do petróleo produzido fica com o governo. As informações são do O Estado de S. Paulo

* Colaborou Leonardo Goy