Tamanho do texto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não exclui a possibilidade de que, em caso extremo, o governo atue para estatizar bancos brasileiros se a situação de uma instituição financeira atingir um nível crítico. O presidente, que esteve em Toledo para receber o Prêmio Dom Quixote, insinuou que a estatização seria uma das opções, e não descartou que o governo possa comprar ações, como vem ocorrendo na Europa.

Questionado na entrevista coletiva se o Brasil deveria seguir o exemplo europeuse comprar ações de bancos, Lula tentou evitar uma resposta clara e apenas indicou de forma evasiva que não excluiria a possibilidade. "Depende, depende se tiver um banco numa situação que avaliarmos que precisa. Primeiro vamos fomentar outro banco que compre sua carteira, como o Banco do Brasil já comprou três e terá a disponibilidade de comprar mais", afirmou Lula. "Segundo, se for necessário, faremos o redesconto via Banco Central. O que eu acho é que precisamos ficar atentos."

A pergunta foi feita duas vezes ao presidente antes de ele dar uma resposta. Mas Lula disse que os governos europeus tomaram a decisão certa em anunciar pacotes de compra de ações de bancos. Ele lembra que US$ 3 trilhões já foram anunciados para esse fim nos países ricos. "Acho correto o que os países estão fazendo, comprando as ações dos bancos que estão quebrando. O que eu vejo de importante é que os governantes querem garantir que os correntistas estejam protegidos."

Segundo Lula, a estratégia do governo brasileiro será a de agir "caso a caso". Ele garantiu que está disposto a usar as reservas do País para dar uma resposta à crise. O presidente também defendeu "a volta da política e do Estado" nas questões financeiras, dizendo que não está mais na época de deixar os bancos livres a atuar como queiram. "Precisamos fortalecer o Estado. Chegou a hora da política. É preciso decidir politicamente os destinos que queremos dar ao mundo." Em sua avaliação, os mercados não podem mais existir sem regulamentação.

Lula defendeu também o fim dos bônus aos banqueiros como forma de remuneração. "Não podemos permitir que um banco alavanque o que não tem. Não podemos ter uma situação em que um banco, como nos EUA, alavanque 35 vezes o seu patrimônio líquido, quando, no Brasil, alavancamos apenas 10 e eu acho que já é muito."

Para Lula, a estatização hoje não é apenas o uso de dinheiro público para salvar bancos. "Vamos comprar ações dos bancos, não dar dinheiro. Se um banco se recuperar, pode até devolver o dinheiro (gasto pelo Estado)."
Outra proposta de Lula é a criação de uma agência de classificação de risco no Brasil. "Eles quebram, fazem jogatina, causam prejuízos enormes e ainda aumentam o risco do Brasil quando deveriam aumentar o risco dos Estados Unidos, não nosso, ou o risco da Europa. Vamos nós fazer uma empresa para avaliar o risco." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.