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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta quarta-feira o fracasso da atual etapa de negociações comerciais da Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Para Lula, o Brasil fez o que podia e o que não podia para tentar conduzir um acordo.

O Brasil fez o que podia e o que não podia para tentar conduzir e fazer com que Genebra fizesse um acordo, que pudesse favorecer os países economicamente menores e países de agricultura mais frágil. Trabalhamos até o último minuto, concordamos inclusive com a proposta da Europa de que era possível fazer um acordo, mas lamentavelmente no último segundo, possivelmente por problemas políticos porque nós temos eleição na Índia e nós temos eleição nos Estados Unidos, houve um impasse entre essas duas nações, e acordo não saiu, ressaltou.

Durante o seu discurso, o presidente afirmou ainda que concorda com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, que ainda acredita na retomada do diálogo. Prefiro acreditar que as negociações não acabaram. Não acabou a negociação. É apenas uma pausa para reflexão. Acho que o bom senso ainda vai permitir que as pessoas entendam que é preciso que haja esse acordo, acrescentou.

Lula ressaltou que se pudesse, iria prestar uma homenagem aos negociadores brasileiros, coordenados pelo companheiro Celso Amorim. Eu conheci de perto as dificuldades das negociações tão complicadas como eram a Rodada de Doha.

O presidente participou nesta tarde de almoço no Palácio do Itamaraty, por ocasião da visita do presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchéz ao Brasil.

Retomada

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, esperam que as negociações sobre a Rodada de Doha, que fracassaram esta semana, sejam retomadas antes do final de 2008.

"Os dois líderes sublinharam a necessidade de que a ruptura das negociações não dure muito tempo. Eles esperam que as negociações de Doha sejam retomadas antes que termine o ano", assinalou nesta quarta-feira o escritório do porta-voz da ONU em uma declaração atribuída a Ban.

Ban e Lamy conversaram hoje por telefone depois que a nova rodada de negociações para a liberalização do comércio mundial, que começaram em 2001, fracassaram após as divergências expressadas pelos grandes líderes do comércio mundial.

Segundo a declaração, Ban "ficou decepcionado ao saber que os tremendos esforços feitos para concluir os sete anos de negociações da Rodada de Doha não deram os frutos esperados".

"O êxito era particularmente importante neste momento em que o mundo tem grandes desafios que incluem enfrentar as crises alimentícia, energética e financeira, assim como de poucos progressos na consecução dos objetivos do Desenvolvimento do Milênio e na luta contra a pobreza", assinalou o secretário-geral da ONU.

Além disso, Ban ressalta que esse êxito seria importante em um momento em que "crescem os sentimentos protecionistas entre preocupações sobre uma recessão global".

Para Ban, isso também teria contribuído para melhorar o bem-estar de muitas pessoas, especialmente dos mais pobres e vulneráveis, "além de proporcionar um grande estímulo à economia global ao eliminar as distorções dos mercados e reforçar o comércio, com base em uma agenda de desenvolvimento".

Após dez dias de negociações, as divergências entre países desenvolvidos como Estados Unidos, membros da União Européia (UE) e Japão, e os que estão em desenvolvimento, principalmente Índia, China e Brasil, impediram uma avanço na liberalização do comércio mundial.

Os empecilhos dessa negociação, da mesma forma que ocorreu em tentativas prévias de concluir o ciclo de Doha, foram a falta de um acordo sobre a eliminação das subvenções agrícolas por parte dos países ricos e a redução de tarifas industriais pelas economias emergentes.

Com informações de Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias e da EFE

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