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Lula afasta temporariamente cúpula da Abin, informa STF

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou temporariamente, no final da tarde de hoje (1º), toda a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), incluindo seu diretor, Paulo Lacerda. O órgão é suspeito de ter realizado escutas telefônicas no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e de outras autoridades, segundo reportagem publicada pela edição desta semana da revista Veja.

Valor Online |

Nota da Presidência da República informa que o afastamento temporário visa assegurar a transparência do inquérito que a Polícia Federal abrirá para apurar as denúncias. A Presidência referendou o pedido de abertura de inquérito feito pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Felix, ao ministro da Justiça, Tarso Genro. Assim, a cúpula da Abin ficará afastada até o fim das investigações.

A nota do Planalto também pede celeridade na aprovação do projeto de lei que regula e limita as escutas telefônicas e informa que o presidente Lula vai determinar ao Ministério da Justiça que elabore outro projeto para agravar as penas a quem viola a privacidade ou intercepta indevidamente as ligações dos cidadãos.

O governo anunciou a decisão horas depois de Lula ter se reunido com Gilmar Mendes, no Palácio do Planalto, para tratar do assunto.

O afastamento da cúpula da Abin foi comunicado pelo Palácio do Planalto ao presidente do STF, pouco depois de ele ter se reunido com os demais ministros da Corte para discutir o assunto. Em nota divulgada ao final do encontro, os ministros disseram que aguardavam as providências exigidas pela gravidade dos fatos por parte da Presidência da República.

De acordo com a matéria publicada pela revista Veja, o presidente do Senado, José Garibaldi Alves (PMDB-RN), e os senadores Demóstenas Torres (DEM-GO), Tião Viana (PT-AC), Arthur Virgílio (PSDB-AM ), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Álvaro Dias (PSDB-PR) também teriam sido grampeados pela Abin. Os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Relações Institucionais, José Múcio, além do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carbvalho, igualmente teriam sofrido escutas realizadas pela agência.

A revista publicou um diálogo entre o presidente do Supremo e o senador Demóstenes, que teria sido obtido por meio de escutas.

Diante da repercussão do caso, representantes do Judicário e do Legislativo passaram a cobrar providências urgentes do presidente Lula em relação às denúncias.

(Agência Brasil e Valor Online)

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