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Lula admite cortes no orçamento

Com um discurso cada vez menos otimista sobre a crise financeira internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem a possibilidade de cortes no orçamento, por causa das turbulências no mercado global. Lula, que no início do mês dizia que a crise chegaria ao Brasil apenas como uma marolinha, dessa vez afirmou que não pode assegurar os recursos previstos a seus ministérios, caso a crise alcance o País.

Agência Estado |

"Eu não posso assumir o compromisso com vocês de que, se houver uma crise econômica que abale o Brasil, a gente vá manter todo o dinheiro de todos os ministérios como está. Até porque, se a União arrecadar menos, vai ter menos dinheiro para todo mundo", afirmou o presidente, ao participar das comemorações dos 60 da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Lula justificou a declaração alegando que não tem planos de "vender ilusão". Ainda assim, o presidente procurou mais uma vez amenizar as preocupações com o avanço da crise. Voltando a apostar na tese de que países pobres agora dão solidez à economia mundial, ele argumentou que a crise chegará ao Brasil "muito mais leve" do que nos países em que se originou.

O impacto, disse, deverá ocorrer nas exportações brasileiras, por causa da recessão nos países desenvolvidos que mantém relações comerciais com o Brasil. Mas, também nesse caso, ele disse prever efeitos reduzidos, pela diversificação do comércio exterior do País.

No discurso, Lula voltou a atribuir a seus opositores uma torcida para que a crise atinja o Brasil. "Nunca vi tanta gente fazer figa para a crise chegar logo aqui", reagiu. "Tem gente que acha que eu deveria ser menos otimista. Eu não posso." Em meio a risos, Lula disse que adotar um discurso pessimista seria o mesmo que visitar um doente terminal no hospital e dizer: "Olha, ontem morreu um cara aqui igual a você!"

Empenhado manter o tom animador, Lula repetiu que o Brasil "até agora não quebrou", ao contrário do que ocorreu durante as crises russa, asiática e mexicana, nos anos 90. "Até agora, nós não estamos sentindo o efeito dessa crise na produção e no varejo. Estamos sentindo no crédito", disse o presidente, referindo-se à escassez de recursos no mercado mundial.

"Não sei onde estão tantos trilhões de dólares que estavam pulando de banco para banco, de papel para papel." Lula voltou a destacar a solidez dos bancos públicos brasileiros e repetiu que o governo está tomando todas as medidas necessárias para manter os níveis de crédito. E negou mais uma vez que o governo planeje qualquer tipo de "pacote econômico" para conter o avanço da crise.

Durante o discurso, o presidente elogiou o fato de o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ter anunciado planos de adquirir papéis de bancos privados abalados pela crise, em vez de socorrer essas instituições. A medida, disse, devolveu ao Estado um papel influente no mercado financeiro.

"Até o Bush já está falando em comprar ações de bancos privados", disse Lula, em referência ao presidente americano, George W. Bush. "O coração do regime capitalista começa a ter um gostinho pelo papel do Estado, que esteve desmoralizado nos últimos 30 anos."

Lula comparou a relação entre o Estado e o mercado à relação de um pai com um filho adolescente. "Quando é que um filho adolescente vem atrás do pai? Quando ele tá sem dinheiro ou quando ele tá doente."

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