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Lula acusa país rico de não repor estoque de alimentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma dura acusação aos países ricos, ao anunciar hoje a criação de um grupo de alto nível para discutir a segurança alimentar no Mercosul, durante a 35ª reunião de Cúpula de Chefes de Estado da região. Segundo ele, os estoques reguladores mundiais de alimentos estão sem reposição desde 2001.

Agência Estado |

 

E isso, afirmou Lula, foi incentivado pelos países ricos, que "pagavam para seus produtores não produzirem".

De acordo com o presidente, a crise alimentar tem duas particularidades: "Uma é prazerosa porque é o fato de as pessoas mais pobres estarem comendo mais (...)"; outra "é que até agora não se discutiu sobre os estoques reguladores que não tiveram reposição desde 2001." Segundo Lula, foram 175 milhões de toneladas de grãos consumidos dos estoques que existiam no mundo. "E não foram repostos porque os países ricos pagavam para seus produtores não produzirem nem leite nem outros produtos", acusou.

A criação de um grupo de alto nível para discutir a segurança alimentar no Mercosul foi proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segundo citou Lula em seu discurso. "Esse grupo vai permitir que nós possamos discutir no Mercosul e na Unasul (União de Nações Sul-Americanas) sobre as necessidades alimentares de cada país e sobre a crise alimentar que ainda não está muito explicitada", disse Lula.

"O dado preocupante é que nós temos dois problemas importantes que não estão sendo discutidos com muita clareza: o mercado de futuros de alimentos, que permite que um produtor de milho ou de soja possa vender sua produção para daqui a três anos sem ter produzido, a preço do mercado futuro, que precifica o preço do presente e isso pode ser extremamente grave", afirmou. "É preciso aprofundar essa discussão e fazer uma investigação do que está acontecendo."

O presidente disse que os países sócios do Mercosul não devem ver a crise como um problema a longo prazo, porque, no curto prazo, "podemos ajudar a resolvê-lo".

O outro aspecto grave do momento, segundo Lula, é que "a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos envolveu muitos bancos europeus que até agora não assumem a responsabilidade pela crise". "Parece que os bancos centrais não perderam dinheiro; parece que não houve crise e até agora o FMI (Fundo Monetário Internacional) não deu palpite de como os Estados Unidos podem consertar a crise", criticou.

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