O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira, em Pequim, que ainda acredita que o esforço para tentar evitar o fracasso da Rodada de Doha renderá frutos e que o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) vai acertar novas regras para o intercâmbio internacional.

"Quero conversar porque nunca chegamos tão perto em sete anos de discussões e, no Brasil, costumamos dizer que 'não se pode morrer na praia depois de nadar tanto'", afirmou Lula depois de se reunir com seu colega chinês, Hu Jintao, e visitar a Vila Olímpica dos Jogos de Pequim-2008.

"Estamos muito perto (de um fim da Rodada) estou otimista", acrescentou o presidente.

"O fato é que, se não retomarmos as discussões e não assinarmos um acordo nos próximos meses, isto pode levar mais quatro ou cinco anos e será um prejuízo enorme para todos", advertiu.

O presidente brasileiro disse ainda ter conversado com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush domingo, por telefone, e que pretende conversar novamente com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, hoje e amanhã (sexta-feira).

"Estava quase tudo certo para concluir o acordo, mas houve um impasse na relação dos EUA com a Índia", declarou.

Lula havia responsabilizado esta semana os governos dos países industrializados pelo fracasso das negociações da Rodada de Doha, iniciada na capital do Qatar em 2001.

Países como a Índia e outras nações pouco industrializadas não concordam que as grandes potências exijam uma forte abertura nos setores de indústria, finanças e serviços, sem contrapartida reduzir consideravelmente seus subsídios agrícolas em benefício dos países produtores de alimentos.

As negociações deste mês em Genebra ficaram paralisadas, no entanto, em torno de uma reivindicação indiana para proteger seus mercados agrícolas.

Lula acredita que, para destravar a Rodada de Doha, é preciso vontade política e, por isso, vem multiplicando seus contatos com os dirigentes das maiores potências comerciais do planeta.

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