O lucro líquido do Unibanco, 6º maior banco do País, segundo o ranking do Banco Central (BC), cresceu 22,8% no primeiro semestre deste ano e alcançou R$ 1,497 bilhão. Se for considerado apenas o segundo trimestre, os ganhos subiram 18,5% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 756 milhões.

Em relatório, os analistas do Banco Fator consideraram o resultado "bom e em linha com o esperado pelo mercado". No entanto, as ações Unit do Unibanco caíram 3,46% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para R$ 20,36.

Os papéis de outros grandes bancos também recuaram ontem, mas em menor magnitude: os preferenciais (PN) do Itaú, por exemplo, perderam 1,5% e os do Bradesco, 0,21%.

O vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, destacou o papel do crédito no desempenho da instituição. Segundo ele, a carteira total de empréstimos cresceu 33,7% nos 12 meses encerrados em junho. As maiores taxas de expansão foram registradas nos mercados de veículos (86,9% de alta nos 12 meses terminados em junho), cartão de crédito (avanço de 35,9%) e pequenas, médias e microempresas (48,9% no mesmo período).

Segundo Travaglia, esses números confirmam a projeção feita pelo Unibanco, no fim do ano passado, de que a carteira de crédito cresceria 25% em 2008. O vice-presidente informou que, até o momento, o novo ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) não afetou a procura por empréstimos. "A demanda continua bastante sólida. A questão, para nós, é administrar o risco nesse ambiente."

Travaglia citou como exemplo a política do banco para financiamento de veículos, um dos mais sensíveis à alta do juro. "A maioria (75%) dos nossos recursos é ofertada por concessionárias e o prazo máximo dos empréstimos, de 48 meses."

O índice de inadimplência da instituição estava em 3,7% ao final do segundo trimestre, mesmo porcentual do fim de 2007. Em junho do ano passado, estava em 4,3%. "Nossa inadimplência está mais baixa do que a média do mercado, que é de 4%", frisou Travaglia.

Segundo ele, a alta da Selic, ao menos por enquanto, não afetou a inadimplência. "O que não significa que não vá afetar", disse o executivo. O Unibanco, aliás, está mais pessimista do que a média do mercado em relação à taxa de juros, principalmente para o ano que vem.

O departamento econômico da instituição espera que a Selic encerre 2008 em 14,75% ao ano e 2009, em 15,25%. Hoje, o mercado estima 14%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), o Unibanco prevê alta de 4,8% neste ano e de 3% em 2009.

Assim como já havia ocorrido durante a divulgação dos resultados do Bradesco e do Itaú, o executivo do Unibanco disse que as novas regras do governo para a cobrança de tarifas impactaram negativamente o resultado. No primeiro trimestre deste ano, disse, as receitas com tarifas somaram R$ 914 milhões. No segundo trimestre, ficaram em R$ 916 milhões.

A regulamentação do Banco Central que limita a cobrança de tarifas começou a valer em abril. "Praticamente não houve crescimento, apesar de o número de clientes ter se expandido", observou Travaglia.

O executivo também explicou que a alta de 9% para 15% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro, anunciada em janeiro pelo governo, no pacote para cobrir as perdas com o fim da CPMF, não afetará os resultados. "Conseguimos constituir um crédito tributário equivalente à alta da alíquota."

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