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Lucro do petróleo cria elite em Cartum

Enquanto o Sudão vive a pior crise humana do planeta na região de Darfur, a elite sudanesa vive em um mundo à parte, beneficiada principalmente pelo lucro do petróleo, que começa a alimentar a economia do país. Cartum, que hospedou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, nos anos 90, vive uma rápida urbanização e a economia do Sudão é uma das que mais crescem em toda a África, com índices acima de 6% ao ano desde o início da década.

Agência Estado |

Mas essa riqueza está concentrada nas mãos de poucos. Na capital, a elite exibe celulares, roupas de grife e carros de luxo nas ruas empoeiradas. Na cidade há restaurantes luxuosos com pratos a US$ 50, o equivalente a dois meses da renda média do Sudão.

O país se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo para a China e um boom imobiliário já é notado em Cartum. Edifícios de vidro estão mudando o cenário do Rio Nilo. Uma ilha no meio do rio será a nova área de residências de luxo.

"Não víamos esse desenvolvimento desde a época do colonialismo britânico (anos 50)", afirmou Mazin, um velho morador do centro de Cartum. Um dos prédios mais impressionantes é um hotel construído por investidores líbios. Turcos, árabes e chineses também apostam no mercado imobiliário para transformar a paisagem de uma cidade que por décadas não contou nem com um edifício. "Hoje, os preços das casas de luxo em Cartum já se equiparam aos do Cairo ou Riad", disse ao Estado Rabia Abdul Atti, porta-voz da presidência.

Os índices de miséria do Sudão não são percebidos no Bar Ozone, no centro de Cartum. O bar toca músicas de Frank Sinatra e outras melodias ocidentais, mas por causa da lei islâmica não serve bebida alcoólica.

Amina vai ao bar com suas amigas pelo menos uma vez por semana. Estudante de medicina e integrante de uma família de empresários, ela acha um absurdo o que falam do Sudão no extrior. "Aqui, vivemos uma vida normal", disse. No país, todos os jornais são censurados e o conflito em Darfur é noticiado de forma controlada.

No elegante restaurante libanês Assaha, uma piscina está à disposição dos freqüentadores, caso tenham muito calor. "Esse é meu lugar preferido em Cartum", disse Fatma. Ela saiu de Los Angeles para acompanhar o pai de volta a seu país de origem e ganhar dinheiro. Fatma dá aula particular de inglês. "Há muito dinheiro nessa cidade e novos empresários que querem aprender inglês. O Sudão não é um país pobre", afirmou.

"Hoje temos trânsito e as mulheres vão sozinhas a um bar", disse Mustafa Abbu Azzaim, redator-chefe do jornal estatal Akhir Lahza. "O dinheiro e o petróleo mudaram tudo."

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