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A crise global reduziu à metade o lucro líquido das empresas de capital aberto no quarto trimestre de 2008, quando comparado com o de igual período de 2007. A conclusão é de um levantamento da empresa de informações financeiras Economática, com base nos balanços de 85 companhias não financeiras negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A queda no lucro é atribuída ao impacto do aumento de 363% nas despesas financeiras líquidas das empresas. "A valorização do dólar ante o real deu uma paulada nas finanças dessas empresas", disse Fernando Exel, presidente da Economática. No último trimestre de 2008, o dólar subiu 22%.

Boa parte das empresas de capital aberto estava endividada em moeda estrangeira, e a alta súbita do dólar, já no terceiro trimestre, fez sua dívida em reais ficar muito maior. Além disso, muitas delas são exportadoras e costumavam especular com derivativos, apostando na manutenção da valorização do real. Como a moeda brasileira se desvalorizou, elas perderam dinheiro com apostas em derivativos "tóxicos".

A despesa financeira líquida das 85 companhias analisadas somou R$ 9,132 bilhões, ante R$ 1,972 bilhão no último trimestre de 2007. "Elas começaram o ano com uma dívida financeira bruta de R$ 124,457 bilhões que cresceu para R$ 187,780 bilhões no fim de dezembro", diz Exel.

A alta foi de 50,9%, sem a inflação do período. O avanço da despesa financeira corroeu o lucro líquido das empresas, que desabou de R$ 8,701 bilhões, no quarto trimestre de 2007, para R$ 4,294 bilhões no último trimestre do ano passado - queda nominal de 50,6%.

Apesar das turbulências provocadas pela crise de crédito, a receita líquida das empresas teve crescimento médio nominal de 17,3%. Os analistas dizem que esse resultado se deve a uma continuidade da situação favorável no mercado doméstico que existia até o terceiro trimestre. O pior da crise, explicam, aconteceu em dezembro.

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