Impulsionado pelos altos preços do petróleo, o lucro da Petrobrás praticamente dobrou no terceiro trimestre de 2008, atingindo o recorde de R$ 10,852 bilhões. O desempenho dificilmente será repetido no quarto trimestre, com as cotações internacionais em níveis equivalentes aos do início de 2007.

Além do petróleo, a valorização do real deu grande contribuição para o resultado do período, somando R$ 3,450 bilhões ao resultado. No ano, o lucro acumulado da empresa chega a R$ 26,560 bilhões, 61% a mais que no mesmo período de 2007.

Os 15 dias de setembro que representaram o início do agravamento da crise internacional não chegaram a embaçar o resultado. "É com orgulho que apresento o maior lucro trimestral da história da Petrobrás. Esse resultado é fruto da excelência operacional, crescimento da produção, das vendas e da disciplina de capital acumulados ao longo de anos." Dessa forma, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, iniciou seus comentários ao mercado no texto de exposição do balanço.

Em entrevista para comentar o balanço, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, incluiu o aumento da produção de petróleo e das vendas de derivados entre os fatores que contribuíram para o bom desempenho no trimestre, quando a receita líquida da companhia atingiu R$ 67,460 bilhões, alta de 52% em relação ao mesmo período de 2007. A produção total da companhia aumentou 6% no trimestre, para 2,437 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás). Já as vendas de combustíveis cresceram 3% no ano. Segundo Barbassa, o ritmo se mantém alto, apesar da crise econômica.

O desempenho do trimestre também foi beneficiado pelos aumentos nos preços da gasolina e do diesel em abril. A cesta de produtos da companhia foi vendida no período a um preço médio de US$ 112 por barril, US$ 3 a menos do que a cotação média do petróleo Brent - que ontem fechou em US$ 55,71. Barbassa disse que a companhia não pretende repassar ainda a queda das cotações internacionais para os preços dos dois combustíveis. Segundo ele, a alta do dólar mantém os valores em reais equiparados ao preço internacional.

O crescimento das vendas, porém, fez com que a companhia fechasse o trimestre com déficit de 36 mil barris por dia em sua balança comercial de petróleo e derivados, ante um superávit de 57 mil barris por dia no mesmo período do ano anterior. No ano, há ainda um pequeno superávit de 6 mil barris por dia, um sinal de que será difícil sustentar a auto-suficiência este ano. Barbassa disse que a companhia precisou importar mais petróleo leve para atender ao crescimento da demanda de diesel no País.

O diretor da Petrobrás não quis fazer projeções para o resultado do quarto trimestre, mas disse que a manutenção do dólar acima dos R$ 1,99 pode atenuar os efeitos negativos da queda do preço do petróleo no mercado internacional para a casa dos US$ 60 por barril. Contando com suas operações no exterior, a empresa tem posição líquida em moeda estrangeira e se beneficia com a valorização dos ativos provocada pela alta do dólar. A dívida da companhia, por outro lado, sofreu com a variação cambial e subiu 15%, para R$ 48,325 bilhões.

A empresa sofreu também com o aumento de custos, em conseqüência do aquecimento do mercado mundial de petróleo, que inflacionou os preços de serviços e equipamentos. O custo de extração de petróleo subiu 43% no trimestre, para R$ 54,40. O pagamento de participações governamentais, como royalties, teve grande impacto nessa conta, já que são calculados com base no preço do petróleo no mercado externo.

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