SÃO PAULO - A Ericsson anunciou ter fechado o terceiro trimestre com uma queda de 28% em seu lucro líquido, que recuou para 2,8 bilhões de coroas suecas (US$ 377 milhões) - ante 4 bilhões de coroas suecas no mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, essa retração é efeito de um extenso programa de reestruturação e não teria relação com a crise financeira internacional.

Entre julho e setembro, a empresa registrou um aumento de 13% em seu faturamento, que chegou a 49,2 bilhões de coroas suecas. Segundo a Ericsson, suas vendas cresceram em todas as regiões geográficas onde atua, exceto na Europa Ocidental. Nessa área, as receitas da companhia caíram 6% em relação ao mesmo trimestre de 2006.

"Nossos negócios no trimestre não foram afetados pela turbulência financeira", afirmou o executivo-chefe da empresa, Carl-Henric Svanberg. "Nossos clientes são, em geral, sólidos financeiramente. Além disso, as redes de transmissão de dados estão saturadas e há um forte crescimento no tráfego, embora na atual situação de turbulência financeira seja difícil prever como as operadoras irão agir e até que ponto os gastos dos consumidores de telecomunicações serão afetados", acrescentou.

Ainda assim, o executivo afirmou que a companhia tem uma expectativa de longo prazo positiva para a indústria. Para o ano que vem, porém, a previsão é de um mercado estável. "E nos temos medidas preparadas também para (enfrentar) condições mais difíceis", disse Svanberg.

A companhia tem apresentado ritmos acelerados de crescimento em mercados emergentes, com novos contratos de implantação de rede. As margens de lucro nesses países, porém, são mais baixas, dada a forte competição e ao fato de que a implantação de redes é uma atividade menos rentável que as operações de expansão e atualização de infra-estrutura já existente.

A retração nos mercados maduros, como a Europa Ocidental, porém, levou a companhia a anunciar, no final do ano passado, seu atual programa de reestruturação, cujo objetivo é assegurar o corte de 4 bilhões de coroas suecas em custos anuais a partir do ano que vem.

"Estamos colhendo os efeitos positivos iniciais de nosso ajuste de custo. Nossa posição financeira é sólida e com caixa líquido, saudável e uma alta taxa de disponibilidade", afirmou Svanberg.

No terceiro trimestre, a Ericsson afirma já ter gasto 1,8 bilhão de coroas suecas em sua reestruturação, o que explicaria em parte a queda no lucro líquido. Desde o início deste ano, já foram gastos 4,6 bilhões de coroas suecas nesse programa.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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