Os loteamentos populares e de classe média só não crescem mais porque há limites de financiamento, segundo os empresários do ramo. Como o que geralmente está à venda são terrenos, e não casas acabadas, as fontes de empréstimos são muito mais restritas do que no mercado imobiliário tradicional.

Normalmente, são os próprios empreendedores que financiam o comprador. Mas as empresas já estão buscando alternativas para acelerar as vendas. A demanda existe.

A Scopel, um dos maiores loteadores do País, acabou de conseguir uma linha com o Banco Fibra para financiar os clientes dos próximos três lançamentos. "O cara vai pagar uma prestação de R$ 180 para comprar um lote de 125 metros quadrados. Depois de 30% da dívida paga, o banco entra com uma segunda linha para financiar a construção", explica Eduardo Scopel, presidente da empresa.

Esse não é o único caminho. As empresas também estão se associando a incorporadoras e construtoras para ter mais acesso ao dinheiro. Em vez de vender apenas o lote, elas dão a opção ao cliente de entregar a casa pronta. A GP e Associados já ofereceu essa opção em um condomínio de classe média de 570 lotes lançado recentemente em Cotia. A construtora Tecnisa está à procura de áreas para estrear no negócio em parceria com loteadores. Ela entraria como construtora, incorporadora ou apenas investidora. A Agra, da Cyrela, começa a vender casas em loteamentos a partir do próximo ano. "Essa deve ser uma tendência daqui para frente. No popular e na classe média, você resolve a vida do comprador. No alto padrão, isso não funciona", diz o diretor da Agra Loteamentos, Arthur Matarazzo.

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