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A presidente argentina, Cristina Kirchner, obteve ontem em Cancún, no México, o respaldo dos presidentes latino-americanos e do Caribe para pedir à Grã-Bretanha a devolução das Ilhas Malvinas à Argentina. Vamos insistir em nossa reivindicação, afirmou Cristina, perante 33 presidentes da região que participaram da reunião de cúpula.

Mas, enquanto Cristina discursava, no Atlântico Sul, a 100 quilômetros das Malvinas, operários da companhia Desire Petroleum ignoravam os apelos latino-americanos e começavam a exploração do solo marítimo. Ali esperam encontrar petróleo, o pivô da nova crise diplomática e comercial entre Buenos Aires e Londres.

Cristina, porém, defendeu "a vocação pacífica" da Argentina, acrescentando que suas Forças Armadas "só participam de exercícios conjuntos de paz em Haiti, Chipre, ordenados pela ONU". E emendou: "Não estamos no Afeganistão, não estamos no Iraque, nos opusemos a qualquer tipo de ocupação, a qualquer tipo de violação do direito internacional, pois acreditamos que isso cria um mundo cada vez mais inseguro, mais perigoso, mais fragmentado."
A posição brasileira também é de defesa de reintegração das Ilhas Malvinas à Argentina (mais informações nesta página). O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava sendo aguardando, repetindo a linha adiantada no dia anterior, pelo seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, de que o País defenderá a sua posição histórica de "solidariedade com a Argentina" e "as Malvinas têm de ser reintegradas à soberania argentina".

Durante a reunião da Cúpula América Latina e Caribe (Calc), os presidentes aprovarão um documento de "respaldo aos legítimos direitos da Argentina na disputa da soberania com a Grã-Bretanha relativa à questão das Malvinas".

O arquipélago, ocupado pelos argentinos durante 13 anos (entre 1820 e 1833), e em mãos britânicas há 177 anos (desde 1883), é reivindicado como "território argentino" por Buenos Aires. Cristina quer impedir a exploração petrolífera das ilhas, já que considera que as riquezas naturais do arquipélago pertencem à Argentina.

Em Ushuaia, capital da Província da Terra do Fogo, sob cuja jurisdição teórica estão as Malvinas, a governadora Fabiana Ríos definiu o clima: "Estamos nos sentindo vítimas de um roubo por parte da Grã-Bretanha." Mas, os ilhéus - descendentes de ingleses, escoceses e galeses denominados de kelpers - , que há seis gerações ocupam as Malvinas, consideram que possuem direitos de explorar o arquipélago como quiserem. "As perfurações continuarão tal como planejado. As pressões argentinas não afetarão as operações previstas", afirmaram funcionários locais.

CARA PLÁSTICA
Em um artigo publicado no Daily Mail, Lisa Watson, ex-diretora do jornal Penguin News, de Port Stanley, capital das ilhas, definiu a Argentina como "o vizinho infernal" e ressaltou que os habitantes das Malvinas referem-se a Cristina como "a velha cara de plástico", em alusão às supostas cirurgias estéticas e aplicações de botox. Nas ruas de Buenos Aires, argentinos desconfiam das intenções "patrióticas" de Cristina - que tem menos de 25% de aprovação e enfrenta uma inflação alta e outros problemas econômicos.

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