Até o fim desta semana, a Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Sammorc) vai enviar abaixo-assinado à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), à Secretaria de Transportes e ao gabinete do prefeito Gilberto Kassab (DEM), pedindo a suspensão imediata da proibição de estacionamento na Rua Augusta aos sábados - dia de maior movimento no local. Segundo a Sammorc, os lojistas registraram diminuição de até 70% nas vendas após a proibição.

A medida entrou em vigor em 29 de julho, quando, além das restrições no estacionamento em 15 vias, foram extintas mais de 500 vagas de Zona Azul e realocados pontos de táxi.

"Se tirar do comerciante o sábado, dia em que mais consegue lucrar, vai ter loja fechando e gente atrasando o aluguel", afirma a coordenadora da Sociedade, Célia Marcondes. "O trânsito aliviou, mas ajustes precisam ser feitos. Esse é um deles."

Antes das modificações, o estacionamento na Augusta era permitido aos sábados e após as 20 horas nos dias de semana. Agora, o estacionamento é proibido de segunda-feira a sábado em período integral no lado ímpar - no lado par, entre a Alameda Santos e a Rua Estados Unidos, é possível parar só após as 22 horas.

Descendo a Augusta na direção da Estados Unidos, praticamente todo o comércio tem reclamações. "Se o consumidor não tem onde estacionar, vai ser impossível competir com os shoppings. Isso aqui vai esvaziar de vez", se queixa a gerente da loja de confecções femininas Stamato, Priscila Felippe. Ela exemplifica mostrando os registros de vendas realizadas antes e depois da restrição - em 26 de julho, um sábado, foram 37 vendas, ante 20 no penúltimo e 21 no último sábado.

Entre os comerciantes, quem mais reclama são os donos de restaurantes. "Antes fazia sentido o cliente aguardar até as 20 horas para jantar e parar aqui em frente. Agora ninguém pode estacionar por aqui", diz Paulo Lyra, um dos sócios do Dona Phina, cujo faturamento caiu de 50% a 70% nos últimos dois sábados. "Era quando conseguíamos abater o prejuízo da semana e ainda tirar um pouquinho. Foram só duas semanas e o proprietário já falou até em fechar", diz Rosângela Antunes, gerente de uma lanchonete próxima.

Quando se chega à Oscar Freire - destinada ao comércio de luxo na capital -, porém, as críticas começam a rarear. Segundo a Associação dos Lojistas da Oscar Freire, as modificações no estacionamento na região dos Jardins não afetaram o comércio local. Muitos até aprovaram as mudanças. "Melhorou muito, bem menos bagunçado", disse Nei Passos, gerente da loja de calçados e confecções Side Walk. "E o trânsito nos sábados também melhorou muito."

Em seis estacionamentos da região, todos entre as Ruas Augusta, Haddock Lobo e Padre João Manuel (com preços que variam de R$ 7 a R$ 15), não foi registrado aumento na procura até o momento. "É mais um sintoma de que os consumidores deixaram de procurar a região", observa Célia. Segundo a CET, as medidas foram tomadas após a constatação de que um terço das vagas na região não era utilizado.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.