BRASÍLIA (Reuters) - O Equador ganharia mais com a presença da Petrobras no país, proporcionalmente, do que os lucros que a empresa brasileira poderia tirar de suas operações em solo equatoriano, avaliou o ministro de Minas e Energia do Brasil, que defendeu uma solução civilizada para o conflito. A Petrobras, eu poderia dizer, não está tendo lucros no Equador, ela está aí para ajudar. Se ela não for bem-vinda, deve haver uma solução civilizada, disse o ministro Edison Lobão a jornalistas nesta quarta-feira.

Ao comentar notícias recentes de que o presidente do Equador, Rafael Correa, teria a intenção de expulsar a Petrobras, Lobão minimizou a ameaça.

"Ele (presidente) pode fazer o que entender. Ele dirige um país soberano, (mas) não creio que ele vá fazer absolutamente nada disso. A Petrobras está ajudando o Equador", destacou, observando que a estatal brasileira conta com dois blocos no país, sendo um inexplorado, além de um oleoduto.

A Petrobras não quer ser prestadora de serviço no Equador, que ainda reivindica que a estatal devolva o controle do bloco 31, nas imediações do Parque Nacional de Yasuní, ainda não explorado.

A empresa explora o bloco 18, produzindo cerca de 11 mil barris diários de petróleo, e no momento negocia com o governo equatoriano sobre seus ativos no país, que inclui ainda um oleoduto que opera.

Segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em declaração a jornalistas na terça-feira, as negociações no Equador estão prosseguindo dentro da normalidade e ainda não há definição sobre a situação da empresa naquele país.

Segundo Lobão, que indicou que a Petrobras atua no Equador bastante orientada pela integração energética da América do Sul, se Correa resolver definitivamente que e Petrobras deve sair do país, terá que indenizar o Brasil.

"Basta que o governo diga que não quer a presença da Petrobras que a Petrobras se retirará, e o governo indeniza as instalações da Petrobras. Não haverá nenhuma briga por conta disso. Isso vai acontecer? Não acredito... O Equador não vai lucrar nada com isso."

O Equador também está em conflito com a Odebrecht, argumentando que a construção de uma hidrelétrica executada pela empresa brasileira não foi bem feita, gerando prejuízo para o Estado equatoriano.

Por conta desses conflitos com empresas nacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou na semana passada o adiamento da viagem de uma missão brasileira ao Equador, que teria o objetivo de apoiar obras de infra-estrutura no país andino.

CRISE NÃO AFETA ENERGIA

Para Lobão, a crise financeira global não deve atrapalhar "em nada o setor elétrico no Brasil e o setor energia de uma forma geral".

"Até porque as obras estão no PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). O presidente Lula decidiu que as obras do PAC prosseguirão sem nenhuma interrupção", declarou.

Além disso, acrescentou, "o capital estrangeiro e o capital nacional se interessam muito por investimentos nesse setor", porque ele apresenta "respostas".

(Reportagem de Fernando Exman)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.