O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu ontem que o abastecimento de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural da Bolívia foi normalizado, mesmo com a crise política no país vizinho. Hoje o abastecimento está completamente normalizado e não temos queixas do governo de lá, que cumpre o seu tratado, afirmou Lobão durante entrevista após a abertura do Rio Oil & Gas Conference, no Rio.

O abastecimento foi reduzido duas vezes na semana passada por conta do fechamento de válvulas no gasoduto que liga os dois países por manifestantes contrários ao governo Evo Morales. "Houve primeiramente a redução de 3 milhões de metros cúbicos e, em um segundo momento, de 15 milhões de metros cúbicos, mas agora está tudo normal", lembrou o ministro.

Ele afirmou ainda que a Petrobrás segue no esforço de ampliar a produção do gás e citou como exemplo a previsão de chegada do gasoduto Urucu-Manaus, em fevereiro e o início da operação em setembro, com capacidade de fornecimento de 9,5 milhões de metros cúbicos . "Os percalços não são decorrentes da falta de investimentos."

Mais tarde, o gerente executivo de exploração e produção da Petrobrás, Francisco Nepomuceno, afirmou que a companhia instala, até o fim do ano, plataformas com capacidade para ampliar a oferta de gás nacional para 40 milhões de metros cúbicos por dia, conforme previsto no Plano Nacional de Antecipação da Oferta de Gás (Plangás). Ele admitiu, porém, que as unidades só devem atingir a capacidade máxima no primeiro trimestre do ano que vem.

As novas plataformas serão instaladas nos campos de Camarupim e Canapu, no Espírito Santo, Jabuti e Marlim Leste, na Bacia de Campos.

Em 2010, a empresa espera chegar a uma oferta de 55 milhões de metros cúbicos, com a entrada em operação do campo de Mexilhão. O projeto, porém, enfrenta alguns percalços, como a falta de licença ambiental para a unidade de tratamento de gás de Caraguatatuba (SP), que vai adiar a chegada do gás de Mexilhão de abril para o final de 2009 ou início de 2010, caso as obras sejam iniciadas no curto prazo.

Mesmo com a nova oferta de gás, Lobão negou a possibilidade de o Brasil deixar importar o gás da Bolívia. Ele disse que o País seguirá comprando o gás boliviano e até mesmo fornecer para outros países, como a Argentina. "No inverno argentino nós fomos consultados para fornecer gás a eles, mas não tivemos essa possibilidade, então enviamos energia elétrica, que agora está sendo devolvida", afirmou.

Lobão admitiu a possibilidade de a mineração de urânio ser livre no Brasil em larga escala. Hoje, a exploração do minério utilizado como combustível em usinas nucleares é restrita e as empresas privadas só podem comercializá-lo com o governo, responsável pelo processo de enriquecimento para o uso nas plantas geradoras de energia. "A Vale do Rio Doce, por exemplo, vende urânio no mercado do Canadá prospectado em outros países, por isso é perfeitamente possível que no futuro isso venha acontecer aqui", disse o ministro.

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