O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, colocou ontem mais pressão sobre as empresas Odebrecht e Suez, que ameaçam levar à Justiça a disputa em torno da construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau. Lobão disse que, se as empresas não chegarem a um acordo e um confronto judicial paralisar os projetos, o governo poderá anular os dois leilões, para preservar o interesse público.

Lobão ressalvou, no entanto, que o governo trabalha para promover um acordo entre os consórcios e tem fé num entendimento. "O que nós esperamos é a negociação e a solução pacífica entre as duas empresas. Com isso, quero dizer que o governo não tem interesse nenhum em quebrar contrato", afirmou, embora tenha chegado, em certo momento, a falar como se um acordo não pudesse ser concretizado.

Ao ameaçar anular as duas licitações, o ministro aumenta a pressão sobretudo sobre a Odebrecht, que tem dito que irá à Justiça para reverter o leilão de Jirau. A empresa alega que a redução do preço oferecida pelo Grupo Suez no leilão ocorreu com base no deslocamento do projeto da usina em 9,2 quilômetros , sem autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Diante da ameaça do concorrente, o Grupo Suez ameaçou retaliar e impugnar o leilão da usina de Santo Antônio, vendida pela Odebrecht. "Nesse caso, as duas estariam impedidas de serem construídas", afirmou Lobão.

O ministro observou que uma eventual decisão do governo de assumir as obras não significaria rompimento de contratos. Como o contrato da usina de Jirau ainda não foi assinado, não haveria rompimento. Mas Lobão não deixou claro se o governo teria uma base jurídica sólida para anular a licitação da Usina de Santo Antonio, cujo contrato já foi assinado.

Energia nuclear

Ontem o ministro Edison Lobão e o secretário-adjunto de Energia dos Estados Unidos, Jeffrey Kupfer, discutiram a cooperação entre os dois países na área de energia nuclear, entre uma outros temas da área energética. O Brasil tem maior relação com a Alemanha nessa área e agora pode estar abrindo um novo flanco de negócios. "Os Estados Unidos têm experiência vasta nisto, e nós podemos nos beneficiar dessa experiência", afirmou Lobão.

Jeffrey Kupfer, por sua vez, disse que os Estados Unidos vêem a energia nuclear como uma das principais matrizes energéticas e hoje trabalham no sentido de criar novos reatores, depois de anos em que essas construções ficaram paradas. Segundo ele, as conversas com o Brasil giram não só em torno das possibilidades de produção, mas também sobre o uso seguro da energia nuclear. Os dois também discutiram a cooperação nas áreas de biocombustíveis, petróleo e produção de usinas térmicas a carvão.

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