RIO - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que após a construção da Angra 3, a tendência é que as obras das próximas usinas nucleares sejam feitas em parcerias entre empresas privadas e a Eletronuclear. Lobão garantiu que a estatal continuará como majoritária nesses empreendimentos.

Vamos manter Angra 3 só com a Eletronuclear, mas para as demais avaliamos a possibilidade de participação da iniciativa privada com a Eletronuclear como majoritária, disse o ministro, que confirmou o início das obras de Angra 3 para 1º de setembro.

Lobão afirmou que mantém conversas constantes com o ministro do meio-ambiente Carlo Minc e garantiu que licença de instalação para Angra 3 deve sair ainda este mês.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, revelou ainda que a Argentina começou ontem a devolver parte da energia enviada pelo Brasil desde maio. Segundo ele, que acompanhou Lobão na visita à sede do ONS no Rio, o país vizinho já começou a enviar 900 MW ao Brasil.

Lobão lembrou que pelo acordo firmado entre os dois países, o Brasil mandaria para a Argentina energia disponível para que os argentinos pudessem fazer frente ao inverno sem comprometer a oferta energética local.

De acordo com o ministro, foi enviada energia gerada a partir de termelétricas e hidrelétricas. Lobão explicou que a parte gerada por térmicas foi paga pelo governo argentino pelo preço de custo, enquanto a fatia hídrica teve depósito correspondente ao custo, mas que esse valor será devolvido à medida que os argentinos enviarem energia para o Brasil, o que deve acontecer até novembro.

O ministro falou ainda que não vê motivos para a Odebrecht procurar a Justiça para questionar o resultado do leilão da hidrelétrica de Jirau, vencido pelo consórcio liderado pela Suez Energy e Camargo Corrêa. A Odebrecht não pode falar em recurso a Justiça enquanto não há, ainda, nem a assinatura do contrato, frisou Lobão, acrescentando que o projeto apresentado pelo consórcio vencedor ainda precisa passar pelo crivo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

(Rafael Rosas | Valor Online)

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