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Liquidez internacional pode alterar investimentos da cias brasileiras

Os projetos de investimentos das empresas podem ser comprometidos à medida que a crise externa aumenta a pressão sobre a liquidez no mercado internacional. A leitura é de que para companhias como Petrobras, Vale e Gerdau as condições de financiamento externo ainda não interrompem os planos, mas para sociedades intermediárias (média para grande) é possível que os programas de expansão sejam postergados.

Agência Estado |

Isso porque, os bancos brasileiros não têm condições de atender toda a necessidade de investimentos das companhias, conforme especialistas consultados pela Agência Estado.

"A percepção é de que não há como o sistema bancário atender a todos. Talvez ocorra elevação de custos e uma redução dos volumes", afirma Laurence Mello, superintendente do mercado de capitais do Banco Fator. A tese é compartilhada por outro executivo de um banco de investimentos que preferiu não se identificar. Segundo afirmou, o mercado local não tem como financiar integralmente o volume de investimentos das empresas esperado para os próximos doze meses.

Em uma situação de restrição de liquidez, os bancos tendem a ser mais seletivos na concessão do crédito. "Se as fontes secarem, a demanda das empresas por aqui será parcialmente atendida", diz Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros.

Os especialistas entendem que o retorno do investimento terá que ser bom o suficiente para bancar o aumento de custo das operações de financiamento. Até porque, segundo chamam a atenção, ninguém sabe a real dimensão da crise.

Virginia Izabel, da Fundação Dom Cabral, lembra que a gestão da maior parte das empresas prevê reavaliação constante dos programas de investimento e isso pode deixar as companhias em situação até confortável perante os acionistas. No caso de grandes companhias como siderúrgicas, mineradoras e petrolíferas, a estimativa é de que não ocorram grandes modificações dos programas originais, uma vez que essas empresas têm capacidade e projetos para atrair os recursos necessários por estarem em setores básicos que todos os países demandam. "O próprio empreendimento garante a geração futura de caixa", ressalta.

Além dos bancos, os próprios empresários devem ficar mais cautelosos diante do cenário de liquidez restrita e aumento de custos, observa João Augusto Salles, da consultoria Lopes & Filho. "Duvido que os investimentos programados continuarão nos mesmos níveis com a manutenção desse cenário", diz. Ele também pondera que é difícil estimar a capacidade dos bancos de atender as empresas, pois poderá ocorrer um arrefecimento natural da demanda.

Rolagens

Além das necessidades de recursos para os projetos de investimentos, parte das empresas contava com a rolagem de dívidas externas que vencem no curto prazo. Segundo dados do Banco Central, até julho do ano que vem esse montante chega a US$ 10,2 bilhões. Vieira entende que se as operações forem de grandes empresas não haverá dificuldades para o refinanciamento. "Já para as intermediárias, a situação fica um pouco mais difícil", observa.

Luiz Nelson Porto Araujo, diretor da Trevisan, lembra que a redução da liquidez externa teve início já no ano passado quando começaram a surgir as primeiras informações sobre problemas em instituições financeiras por conta do mercado de hipotecas nos Estados Unidos. De lá para, segundo observa, o custo do crédito nos mercados externo subiu, o que reduziu a captação por parte dos bancos. Nesse mesmo cenário de preocupação com a liquidez, as empresas que planejavam abrir o capital desistiram das ofertas de ações.

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