Assembléia marcada para o dia 23 vai votar a liquidação ou não dos dois fundos GWI fechados na quarta-feira para aplicações e resgates pelo BNY Mellon Serviços, gestor dessas carteiras. Os fundos GWI FIA (Fundo de Investimentos em Ações) e GWI Classic foram as primeiras vítimas da crise financeira na indústria brasileira de fundos.

Em apenas cinco dias úteis - do dia 1º ao dia 7 -, o GWI FIA perdeu 74% de seu patrimônio líquido, passando de R$ 141 milhões para R$ 36,2 milhões.

Segundo analistas, caso seja decidida a liquidação - hipótese mais provável - o patrimônio líquido dos dois fundos será dividido entre as cotas que os compõem e cada investidor arcará com as perdas nas últimas semanas, que se avolumaram este mês. A falta de liquidez dos ativos que compõem as carteiras dos fundos levou o BNY a suspender a movimentação, bloqueando depósitos e saques.

Analistas explicam que o "congelamento" permite uma distribuição melhor das perdas entre os cotistas. Sem isso, os últimos cotistas a pedir resgate de cotas teriam de arcar com os maiores prejuízos. O superintendente de Relações com Investidores Institucionais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Carlos Alberto Rebello, informou que a autarquia já vinha acompanhando de perto da situação dos dois fundos. "Já tínhamos indagado o administrador (BNY Mellon). Mas o fechamento não foi pedido nosso."

As normas da CVM que regulam o setor estabelecem um prazo de 15 dias para que o administrador convoque assembléia para analisar o futuro do fundo. As possibilidades são: reabertura, liquidação, cisão com outra carteira ou a substituição do administrador.

A instabilidade provocada pela crise internacional nos últimos meses levou a CVM a redobrar a atenção sobre fundos de investimentos, especialmente os mais alavancados (com giro de recursos muito acima de seu patrimônio). A intenção, disse Rebello, é mapear potenciais desenquadramentos nesse momento de maior volatilidade, por meio dos filtros internos de supervisão do órgão.

O superintendente explicou que a carteira dos fundos GWI era composta de ações compradas no mercado à vista e também operações a termo (compra de ações a um preço fixado para liquidação em prazo também preestabelecido). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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