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Linha para exportação caiu à metade após quebra do Lehman

A preocupação do governo brasileiro com o crédito e o pânico dentro e fora do País quanto ao financiamento de grandes investimentos podem ser medidos por duas informações divulgadas ontem pelo Banco Central (BC): o crédito para a exportação caiu pela metade após a derrocada do banco Lehman Brothers, em meados de setembro; e no dia 15 de setembro, primeiro dia útil após o fracasso das negociações para salvar o Lehman, empresas e investidores estrangeiros remeteram US$ 1,299 bilhão do Brasil para o exterior. O valor é 640% maior que a média diária de saída de recursos registrada nas quatro semanas de setembro (US$ 175,3 milhões).

Agência Estado |

Na média diária, exportadores tomaram US$ 164,9 milhões em empréstimos para financiar vendas ao exterior entre os dias 15 e 26 de setembro. O valor corresponde à metade do verificado nas duas primeiras semanas do mês - entre 1º e 12, quando a média ficou em US$ 342 milhões por dia.

O fracassado no salvamento do Lehman ocorreu exatamente no intervalo entre o dois períodos comparados, nos dias 13 e 14. A queda no volume médio de empréstimos para o comércio exterior diminuiu 51,7% depois do anúncio de concordata do banco. A piora é explicada pela dificuldade dos bancos em encontrar dinheiro disponível para emprestar aos exportadores.

Os dados do Banco Central mostram também que o pior dia do mês para os exportadores foi a segunda-feira, 22. Naquele dia, apenas US$ 117 milhões - ou R$ 209 milhões pelo dólar do dia - foram fechados em contratos de crédito. O valor corresponde a um terço do registrado em 10 de setembro, o melhor dia do mês, quando exportadores conseguiram US$ 457 milhões nos bancos.

Todos esses números se referem ao Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), instrumento mais comum para o financiamento de exportações. Normalmente, essa linha de crédito usa recursos captados no exterior e, por isso, é atrelada à variação da moeda americana. Com o agravamento da crise, o capital estrangeiro está escasso e bancos têm enfrentado dificuldade para emprestar.

Normalmente, quando é fechada uma venda ao exterior, o exportador toma os recursos para comprar matéria-prima e pagar a produção. O financiamento é quitado quando a empresa recebe o pagamento. Com a crise, esse caminho está mais difícil de ser percorrido.

"O estrangeiro ainda tem recursos no Brasil, mas momentos tensos geraram a saída mais forte de aplicações feitas, por exemplo, na Bolsa de Valores", disse o assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro. No fim das quatro semanas do mês de setembro, o fluxo financeiro, que inclui investidores e empresas que remetem lucros, registrou a saída líquida de US$ 3,507 bilhões do Brasil.

Apesar dessa fuga, o mês de setembro ainda tem saldo positivo no fluxo cambial. Isso porque a balança comercial brasileira permaneceu positiva e foi responsável pelo ingresso de US$ 6,256 bilhões. Dessa forma, o período terminou com o ingresso líquido de US$ 2,749 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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