Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Limites entre o ser vivo e a máquina

Limites entre o ser vivo e a máquina Por Rodrigo Martins São Paulo, 20 (AE) - É difícil classificá-lo. Seria um artista? Um cientista? Ou quem sabe um botânico? Radicado nos EUA desde os anos 1980, o carioca Eduardo Kac, de 46 anos, reúne internet, robótica, engenharia genética e biotecnologia em seu balaio criativo.

Agência Estado |

Em experimentações - que podem parecer excêntricas - ele já criou um robô movimentado por amebas, "pintou" um coelho com algas, iluminou uma planta pela web e até implantou um chip no próprio corpo.

E tudo, diz, em nome da arte. "O meu limite são as leis da física", conta ele, que conversou com a reportagem, em recente visita ao Brasil. Embora sua obra, assume, seja de difícil assimilação, Kac é referência em sua área, com trabalhos expostos nos EUA, Espanha e Brasil. "Não penso se a tecnologia me permitirá fazer as coisas. É minha inquietação artística que me leva a buscar formas de realizar as idéias. Vou até onde for preciso, falo com quem for."
Foi numa dessas "inquietudes", por exemplo, que o artista - com livros publicados pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), um dos principais centros de tecnologia dos EUA - decidiu correr atrás de quem o ajudasse a criar o seu próprio robô. Ele queria dar origem à obra Biobot, um andróide que se mexe a partir do movimento de amebas. "Não uso robôs que alguém fez para um propósito comercial. Eles são criados para cada obra."
As buscas de Kac no universo da tecnologia para viabilizar criações como essa vêm de mais de 20 anos, quando o computador era um luxo de poucas empresas. Em 1987, já juntava experimentações com holografia e computação gráfica para criar o que chamou de "holopoema digital". Eram poesias com poucas palavras que, projetadas, "flutuavam no ar". "Isso não estava rolando na época. Tive de pesquisar para conseguir fazer."
Desde então, Kac viu a disseminação das artes eletrônicas, que chegam a dividir espaço com pinturas e esculturas em exposições no mundo todo, inclusive a Bienal de São Paulo, em obras de videoarte. "Quando comecei, não havia escolas para arte eletrônica, críticos especializados."
O próprio Kac, dos anos 80 para cá, vislumbrou outras formas de aproveitar os artefatos hi-tech. Embora atualmente esteja mais voltado para a bioarte (veja ao lado), grande parte de seus trabalhos vale-se da tecnologia digital para mostrar as possibilidades de simbiose com "seres vivos", como as tais amebas citadas acima. "É a junção da máquina com o vivo."
"E acredito que essa mistura esteja se disseminando cada vez mais. Não apenas na produção artística, mas em outras áreas como medicina e engenharia. Hoje, por exemplo, já há microchips que utilizam pequenas bactérias para detectar a poluição do ar. Já é uma integração prática do ser vivo com a tecnologia."
Para mostrar essa simbiose, em uma de suas obras Kac condicionou a sobrevivência de uma planta à internet e à colaboração na rede. Localizada em um museu de Kansas, nos EUA, a planta só recebe luz quando os internautas clicam em um link (acesse Teleporting an Unknown State em www.ekac.org). Para tanto, foram instaladas webcams em cidades como Tóquio e Paris. "Há um monitor próximo à planta que ‘transporta’ a luz desses locais para ela."
Outra obra de Kac leva essa união ao extremo. E ele mesmo serviu de cobaia. Em 1997, filmado por emissoras de TV, ele injetou em sua perna um chip com um código numérico, o qual foi cadastrado em um site de controle de animais. O artefato está lá até hoje. O sentido? "É uma obra de arte. É uma memória digital que busca o confronto com a memória analógica do ser vivo. É uma reflexão." Então tá.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG