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Líderes prometem incentivo fiscal para salvar economia mundial

Por Alister Bull WASHINGTON (Reuters) - Líderes mundiais enfatizaram na reunião do G20 o papel que a política fiscal precisa exercer na recuperação do crescimento, abrindo o caminho para governos individuais discutirem detalhes concretos nas próximas semanas.

Reuters |

"Contra esse pano de fundo de condições econômicas deterioradas em todo o mundo, concordamos que é necessária uma resposta política mais ampla, baseada na cooperação macroeconômica mais estreita para restaurar o crescimento", disseram os líderes do G20 em comunicado sobre a reunião de cúpula.

Os cortes nas taxas de juros foram identificados como ferramenta importante, "conforme o que for apropriado para as condições domésticas", mas os líderes enfatizaram que a política fiscal terá um papel maior a desempenhar.

"A política monetária por si só não será o bastante para tirar a economia global desta crise. Será preciso ação fiscal, e ação fiscal adicional", disse o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, considerou que a ação fiscal proporcionará "estímulo coordenado e conjunto, através do uso de medidas orçamentárias para apoiar a demanda em nossas economias. Acredito que veremos muitos países seguirem essa direção nas próximas semanas."

A China já anunciou 560 bilhões de dólares em gastos para incentivar o crescimento, e parlamentares democratas dos EUA vão propor na segunda-feira um pacote de 25 bilhões de dólares de ajuda às montadoras automotivas do país, a ser tirado do pacote de resgate de 700 bilhões de dólares já existente.

O presidente eleito dos EUA Barack Obama não assistiu à cúpula, cujo anfitrião foi o presidente George W. Bush. A expectativa é que, depois de sua posse, em 20 de janeiro de 2009, Obama promova gastos públicos importantes com infra-estrutura.

Os orçamentos dos países da União Européia são restritos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, que limita os déficits a 3 por cento do PIB. O comunicado observou que a ação fiscal precisa "conservar um contexto de políticas que favoreça a sustentabilidade fiscal."

ETAPAS DIFERENTES

Autoridades norte-americanas disseram que diferentes países estão em etapas distintas de seus planos com relação a pacotes de gastos e que isso impediu a cúpula do G20 de apresentar detalhes mais específicos sobre ações governamentais propostas.

A demanda global vem sendo fortemente prejudicada pela crise do crédito desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário residencial dos EUA. O FMI prevê que em 2009 as economias avançadas sofram sua primeira recessão coletiva em 60 anos.

O primeiro-ministro australiano Kevin Rudd disse que 1 trilhão de dólares de dinheiro público já foi comprometido para reforçar os gastos em todo o mundo. Mas acrescentou que o FMI avisou aos líderes, no sábado, que prevê que 1,8 trilhão de dólares em atividade econômica seja eliminado pela crise no próximo ano.

"O desafio que enfrentamos é continuar a oferecer mais estímulos", disse ele num briefing após o final da cúpula.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que os contribuintes receberão muito mais retorno sobre seu dinheiro se os programas de gastos públicos forem coordenados entre os diferentes países.

"É hora de coordenação", disse ele numa coletiva de imprensa após o término da cúpula. "Eu saúdo a ênfase sobre o estímulo fiscal, que acredito ser essencial agora para restaurar o crescimento global."

"Os estímulos fiscais dados por cada país podem ser duas vezes mais eficazes em elevar o crescimento da produção doméstica se os principais parceiros comerciais dos países também tiverem um pacote de estímulos. É preciso considerar isso em todo lugar onde se tem inflação baixa."

Strauss-Kahn também disse que a referência à política monetária no comunicado do G20 visou os países que ainda têm algum espaço para redução dos juros, mas não ao Federal Reserve dos EUA, que já reduziu os juros para 1 por cento.

Os bancos centrais dos EUA, europeus e asiáticos fizeram em outubro a primeira redução de juros coordenada da história, e a expectativa é que o Banco Central Europeu anuncie outro corte, após o meio ponto percentual cortado em 6 de novembro, que reduziu sua taxa para 3,25 por cento.

"Existe algum espaço para política monetária em diferentes partes do mundo," disse Strauss-Kahn. "Não em todo lugar. Em algumas regiões, muita coisa já foi feita para aliviar a política monetária. Veja o caso dos Estados Unidos."

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