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Líderes mundiais discutem como blindar pobres da crise global

Doha, 29 nov (EFE).- Líderes mundiais reivindicaram hoje um maior compromisso em favor do financiamento para o desenvolvimento dos países pobres e insistiram que a crise econômica atual não pode prejudicar os mais necessitados.

EFE |

O apelo foi feito na primeira sessão da Conferência Internacional sobre Financiamento para Desenvolvimento das Nações Unidas, que busca revisar os mecanismos abrangidos pelo Consenso de Monterrey, de 2002, e o cumprimento dos pactos firmados.

"Temos que trabalhar rapidamente para prevenir esta catástrofe humana que afeta a todos nós", afirmou na abertura da conferência o presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D'Escoto.

Também participam do evento chefes de Estado e de Governo, ministros e altos funcionários, assim como analistas da ONU.

Entre os chefes de Estado presentes, figuram os presidentes da França, Nicolas Sarkozy; da Costa Rica, Oscar Arias; e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

D'Escoto lamentou que estejam sendo elaborados nos países desenvolvidos planos multimilionários para respaldar os sistemas financeiros e que se dediquem "trilhões de dólares em guerras contra o terror", enquanto os países pobres continuam sofrendo com a fome.

"As ações necessárias não devem ser vistas como expressões de caridade, mas como deveres sociais", insistiu o presidente da Assembléia Geral da ONU.

Em sua mensagem, D'Escoto mencionou a Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), realizada em Washington em 15 de novembro, a fim de coordenar ações entre nações ricas e em desenvolvimento para enfrentar a crise econômica.

No entanto, disse que o encontro foi um "primeiro passo para incluir os países em desenvolvimento nas decisões internacionais" e motivou os reunidos em Doha a seguirem essa linha.

Em seu discurso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o "futuro do planeta" depende dos resultados da conferência e pediu mais coordenação entre os países pobres e ricos.

Em sua mensagem, Ban convocou os reunidos a adotarem medidas "mais decisivas" e transformarem a conferência em uma ponte entre o G20 e o resto do mundo.

Segundo o secretário-geral, essa cooperação deve incluir três princípios: solidariedade entre as partes, sustentabilidade no crescimento econômico e multilateralismo.

"Qualquer pacote de resgate (a partir da atual crise financeira) não pode ser feito só para os países ricos", disse Ban.

O secretário-geral destacou que o Consenso de Monterrey foi um grande lucro e um bom exemplo para a cooperação e para reduzir a distância entre o Norte e o Sul.

Pediu apoio às nações pobres para que cumpram os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, inclusive a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, "a fim de não paralisar o crédito das economias emergentes".

Arias pediu que se destine menos dinheiro para a guerra e mais fundos para o desenvolvimento dos países pobres a fim de evitar a "falência moral" do mundo.

O presidente costa-riquenho disse ser necessário reverter a tendência dos Governos de preferir "abastecer seus Exércitos ao invés de educar suas crianças", algo que parece ser observado tanto pelas nações ricas quanto pelas pobres.

"Muitas nações em desenvolvimento expões suas populações ao risco ao negar a elas recursos para uma vida digna para se dedicarem a seus aparelhos militares", acrescentou o presidente da Costa Rica, país que não tem Exército.

Arias insistiu na necessidade de se respeitar o compromisso fixado internacionalmente para que cada país destine 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para financiar o desenvolvimento das nações pobres, e propôs inclusive o aumento desse percentual.

Segundo ele, reservar esse 0,7% do PIB para o desenvolvimento, uma "quantidade minúscula", não gerará "a quebra de ninguém, mas negá-la pode causar a falência moral".

Sarkozy disse que, nessa reunião, os líderes mundiais enfrentam uma "oportunidade histórica" de mudar a desigualdade entre ricos e pobres.

Também pediu a reforma das instituições internacionais de crédito e do sistema financeiro mundial para que regiões subdesenvolvidas, como a África, possam conseguir lucros melhores.

"É inaceitável que vivamos no século XXI e tenhamos instituições obsoletas do século XX", acrescentou o presidente da França, país que exerce neste semestre a Presidência da União Européia (UE). EFE ma/wr/rr

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