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BERLIM - Líderes europeus expressaram nesta sexta-feira confiança de que as novas medidas de austeridade planejadas pela Grécia serão suficientes para tirar o país da crise de dívida e tornar qualquer socorro desnecessário.

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O primeiro-ministro grego, George Papandreou, recebeu apoio político mas nenhuma promessa de ajuda financeira nas conversas em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel, e em Luxemburgo com o influente presidente do Eurogroup, que reúne os ministros de Finanças dos 16 países que utilizam o euro.

"A Grécia não pediu suporte financeiro. A zona do euro está estável neste momento. E consequentemente essa questão (de ajuda) não se apresenta", disse Merkel a jornalistas em uma entrevista conjunta com Papandreou.

"Nós não podemos prever todos os cenários que vão ocorrer nos próximos dez anos. Mas a questão não se faz presente hoje e nós estamos trabalhando para garantir que não seja no futuro. Estou otimista de que este será o caso."

O premiê de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que também chefia o Eurogroup, descreveu o novo plano de austeridade grego como "forte e duro". Ele disse que a Europa estava pronta para ajudar a Grécia, mas acrescentou: "Eu não acho que essa ação será necessária".

Enquanto Papandreou começava seu tour diplomático, o Parlamento da Grécia aprovou um projeto que inclui boa parte dos 4,8 bilhões de euros em economias e aumentos de impostos que o governo anunciou.

Líderes europeus apoiaram o plano, mas o governo de Papandreou enfrentou novos protestos nesta sexta-feira.

Uma pesquisa mostrou que três quartos dos gregos se opõem ao plano, que também teve impacto limitado sobre os mercados financeiros.

Apesar de um impulso da venda de 5 bilhões de euros em bônus na véspera, o spread entre o rendimento dos títulos do governo grego e o dos bônus alemães de referência continua alto, em 288 pontos-básicos - cerca de 70 pontos acima do nível de dois meses atrás.

Alguns analistas acreditam que os mercados podem continuar punindo os ativos gregos até que os parceiros da zona do euro surjam com uma ajuda financeira mais concreta.

Embora tenha reconhecido que os problemas econômicos da Grécia foram, em grande parte, originados no país, Merkel também voltou-se contra especuladores no mercado que estariam alimentando as turbulências.

Segundo ela, o uso de credit default swaps (CDS) por alguns investidores é equivalente a segurar a casa de um vizinho para destruí-la e ganhar dinheiro.

"Vamos pedir à Comissão que torne isso uma questão europeia, mas também devemos perguntar a nossos parceiros nos Estados Unidos porque a especulação é global e não está limitada às fronteiras europeias nem à zona do euro."

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