SÃO PAULO - A disponibilização de R$ 100 bilhões do compulsório dos bancos pelo governo é a medida mais certa para enfrentar a crise financeira global, na avaliação do economista e presidente da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cláudio Felisoni. Para ele, não há muito mais o que ser feito, por se tratar, atualmente no Brasil, mais de uma crise de confiança do que financeira propriamente dita.

"O grande drama hoje é saber onde acaba a crise financeira e começa a de confiança e saber separar isso para que não se acabe criando um ciclo futuro ainda mais perverso", afirma. "A ação do governo foi muito positiva e na linha do que outras instituições no exterior estão fazendo. Não há outra forma, é um estouro de manada", acrescenta Felisoni.

Segundo ele, o governo brasileiro aprendeu com as crises passadas como agir em momentos de turbulência, utilizando de forma eficaz seus instrumentos de política econômica. Ele aprova as medidas que buscam resgatar a credibilidade das instituições financeiras argumentando que o mercado agora precisa de uma injeção de confiança.

"Num cenário de turbilhão de notícias ruins, há uma magnificação do medo, do pavor de perder", explica. "O governo tem, então, que tomar as medidas públicas necessárias para conter o pânico, e isso tem seu custo social. Mas não há outra maneira para resgatar a credibilidade do mercado. É preciso assumir passivos e injetar dinheiro na economia", conclui.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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