Depois de muitas idas-e-vindas, o governo promove hoje, via internet, o primeiro leilão de reservas para contratação de energia produzida da biomassa. A disputa vai ocorrer a partir das 10 horas e envolve a comercialização de 2.

921 megawatts (MW) de energia para entrega a partir de 2009 e 2010.

No total, 44 empreendimentos vão participar do certame, a maioria do setor sucroalcooleiro. O número de inscritos, no entanto, foi decepcionante. A primeira habilitação teve 118 interessados, num total de 7.800 MW. Desses, apenas 89 foram considerados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aptos a participar do leilão. Nem todos, porém, aceitaram as condições oferecidas pelo governo, e declinaram.

Segundo o consultor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Onorio Kitayama, apesar de todos os esforços, não se conseguiu um consenso em relação a todos os problemas. Uma das principais divergências está associada à questão da conexão, cujo custo terá de ser dos produtores.

Além disso, o preço não foi considerado atrativo por todos os produtores, completou o presidente da Unica, Marcos Jank. O preço inicial para o leilão foi de R$ 157 o MWh. Na competição, esse valor vai caindo conforme os lances dos vendedores. "Esse valor ficou aquém do esperado", diz Jank.

A explicação é que o aquecimento do setor com a construção de novas unidades provocou uma "inflação nos investimentos". Isso fez com que os orçamentos fossem alterados, diz Kitayama. Junta-se a isso o atual momento de baixa rentabilidade do setor, com preços baixos do açúcar e do álcool. "Se os dois outros mercados não estão dando lucro, o produtor vai entrar num terceiro que também não dá?", questiona.

Para o governo, porém, o preço é bastante atrativo. Na avaliação do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o número de participantes abaixo dos 118 iniciais não significa fracasso. "É sempre assim: numa primeira chamada surgem vários interessados, mas no meio do caminho eles seguem rumos diferentes. Alguns preferem, inclusive, vender a energia no mercado livre."

Segundo Tolmasquim, esse leilão é de extrema importância para o sistema elétrico porque as usinas vão produzir energia durante a safra, entre maio e novembro, período seco das hidrelétricas. Ou seja, essa energia produzida a partir da cana-de-açúcar vai permitir que as usinas preservem os reservatórios. O executivo não descartou a hipótese de um novo leilão no futuro. Potencial não falta.

Segundo a Unica, das 400 usinas no País, cerca de 210 estariam dispostos a investir na produção de energia elétrica feita da cana. Dessas, 104 estão no Estado de São Paulo e 33 em Minas Gerais - principal centro consumidor do País.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.