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Leilão do polêmico Damien Hirst desafia caos financeiro

Um bezerro de 18 meses, com chifres e cascos de ouro, foi vendido nesta segunda-feira por US$ 18,5 milhões, enquanto um tubarão no formol saiu por US$ 17,2 milhões, no leilão organizado pela Sothebys de Londres com 223 obras do artista britânico Damien Hirst, que desafiou a atual crise financeira.

AFP |

Com um disco dourado sobre a cabeça, além de chifres e cascos em ouro 18 quilates, e sobre um pedestal de mármore, "The golden calf" ("O bezerro de ouro") estabeleceu um recorde para uma obra desse artista conceitual em um leilão. O valor de venda esperado era de pelo menos US$ 17,1 milhões.

O tubarão embalsamado no formol, intitulado "The Kingdom" ("O reino"), foi vendido abaixo das previsões, entre 4 e 6 milhões de libras (US$ 5,7 e US$ 8,5 milhões). Outro animal no formol, uma ovelha negra também com um disco dourado na cabeça, foi comprada por cerca de US$ 4 milhões.

As expectativas foram amplamente superadas. Na primeira noite, o leilão de Hirst totalizou 70,5 milhões de libras (US$ 100,5 milhões), embora o dia já tenha sido batizado pela imprensa mundial de "Segunda-feira negra", devido ao colapso financeiro após o anúncio de concordata do banco de investimentos Lehman Brothers.

Esse valor é maior do que o esperado para o total de dois dias de leilão, o que confirma que o mercado de arte continua eufórico, apesar da queda nas Bolsas mundiais. Apenas nos primeiros 90 minutos, foram vendidos 78 milhões de dólares (55 milhões de euros) em obras.

Intitulado "Beautiful inside my head forever" ("Lindo dentro da minha cabeça para sempre"), o leilão de Damien Hirst gerou comoção no mundo da arte, ao mudar as regras desse mercado. A venda de 223 obras de Hirst, em 15 e 16 de setembro, na Sotheby's, marca a primeira vez que um artista entrega sua obra diretamente a uma casa de leilões.

"Se alguém faz dinheiro, que seja o artista", declarou Hirst, o mais destacado do grupo conhecido como Young British Artists (jovens artistas britânicos), durante a apresentação à imprensa de sua polêmica coleção.

A iniciativa de Hirst, que com esse gesto nega às galerias que o representam a habitual comissão de 40%, foi qualificada de "histórica" pela Sotheby's.

Desde sua fundação, em março de 1744, quando um tal Samuel Baker arrematou uma coleção de livros antigos em seu escritório em Londres, a Casa nunca vendeu obras recentes de um artista vivo diretamente para o público.

ame/tt/LR

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