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Lei proíbe, mas caixas da Ceagesp são reusadas

Lavar bem frutas, verduras e legumes antes de comê-los. O conselho é antigo, mas nem sempre levado à risca.

Agência Estado |

Ignorá-lo, no entanto, pode provocar problemas sérios de saúde. Basta ver o estado em que estão milhares de caixas de madeira sujas espalhadas pelas calçadas em volta da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina, na zona oeste. Elas já transportaram alimentos, mas serão usadas novamente por produtores sem preocupação com a higiene nem com a lei municipal que proíbe a reutilização.

Há um ano e meio, a Prefeitura proibiu o reaproveitamento de caixas de madeira para evitar a contaminação dos alimentos. Além de o material não ser limpo de forma eficiente, baratas e ratos passam pelos caixotes jogados na rua. Apenas as embalagens de plástico podem ser recicladas - só depois de passar por um processo de higienização, no entanto.

Mas o preço baixo atrai. Enquanto a caixa de madeira velha varia de R$ 1 a R$ 1,80, a nova custa de R$ 2,50 a R$ 3. E a de plástico, R$ 10.

"Quando quebra a safra, só compram da usada", explica o funcionário de um dos poucos galpões de caixas que ficaram no entorno da Ceagesp após a proibição. Segundo ele, que pediu para não ser identificado, são vendidas ali, diariamente, 50 mil embalagens de madeira novas e outras 50 mil usadas. Na época de colheita ruim, o número de caixotes velhos salta para 80 mil, revela.

A Subprefeitura da Lapa, responsável por fiscalizar a venda irregular nas calçadas, afirma não ter condições de combater o problema, que está se espalhando para os bairros da Lapa, Jaguaré e Jaraguá. Para limpar uma rua na manhã da terça-feira passada, precisou deslocar 13 de seus 15 caminhões. E parar os trabalhos de limpeza, conservação e poda de árvores. Retirou 65 toneladas de madeira, em duas viagens, mas não deu nem para o começo. À tarde, as caixas já estavam de volta.

A Ceagesp garante que nenhum caixote vendido nas calçadas saiu de lá e nem vai entrar. Diz que o controle é rigoroso e as 100 toneladas de madeira que entram diariamente no entreposto são fiscalizadas e queimadas para produzir energia.

Mercado paralelo

"Fora dos muros é um mercado paralelo, que nós não controlamos", afirma o presidente da Ceagesp, Rubens Boffino. Para ele, a responsabilidade é do governo municipal. "Se quiserem firmar um termo de cooperação, podem nos repassar as caixas, que reciclamos."

Já a Coordenação de Vigilância Sanitária informou que fiscaliza o comércio de alimentos em supermercados, mercados municipais e feiras livres, mas os caixeiros são responsabilidade da subprefeitura.

Enquanto isso, mais de cem ambulantes continuam negociando caixotes usados em volta da Ceagesp. Nas calçadas, são comprados de varejistas por R$ 0,50. E vendidas aos produtores por R$ 1. Os caminhões chegam com as caixas cheias de frutas, legumes e verduras. Feita a entrega, passam no comércio informal e voltam com as vazias.

Aos 50 anos, o caixeiro Totó está há 10 no ramo. Chega às 6 e sai às 18 horas. O movimento termina às 15 horas, mas ele e os colegas ficam o resto da tarde consertando as caixas usadas que compraram. Tiram as ripas e pregam tudo de novo. "Se tiver cara de velha ninguém compra."

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