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Lehman se preparava para entrar no Brasil

Há pouco mais de um ano, em julho de 2007, executivos do banco de investimento Lehman Brothers entregaram diversos documentos ao Banco Central. Os papéis tinham como objetivo conseguir a autorização para abrir uma subsidiária no País, o Lehman Brothers do Brasil Banco Múltiplo S.

Agência Estado |

A. Desde então, a instituição, que agora corre o risco de ser liquidada nos Estados Unidos, espera a aprovação do governo brasileiro.

De acordo com os documentos entregues ao BC, os planos do Lehman Brothers no País eram ambiciosos. A intenção era criar um banco múltiplo, com negócios em várias frentes. A instituição queria oferecer aos clientes brasileiros carteiras de investimento - como fundos - e também produtos no segmento de crédito e financiamento.

O pedido previa que o Lehman Brothers do Brasil nasceria com capital inicial de US$ 50 milhões, pouco mais de R$ 90,5 milhões pela cotação de ontem. Apesar de o BC não ter aprovado formalmente o pedido, o processo avançou em Brasília. Em 28 de fevereiro deste ano, o banco norte-americano conseguiu a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para ter 100% do capital nas mãos de estrangeiros. Na ocasião, o texto foi encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção.

Pelo requerimento, os acionistas da matriz norte-americana - representados pela Lehman Brothers Holding - seriam detentores de 100% das ações da subsidiária brasileira. O documento não prevê nenhum terceiro como sócio do banco no Brasil.

Atualmente, a instituição opera apenas um escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Procurada, não atendeu aos pedidos de entrevista feitos pelo Estado. Na América Latina, também tem presença em Buenos Aires, Cidade do México, Montevidéu e San Juan, em Porto Rico.

Mesmo com os rumores sobre sua fragilidade financeira, há alguns dias, o banco manteve o discurso sobre a abertura da filial brasileira. Ao jornal Valor Econômico, o responsável pelos mercados emergentes do Lehman, Mohammed Grimed, disse, no início do mês, que o banco já havia contratado 40 pessoas no último ano no Brasil e esperava, apenas, a autorização do BC para iniciar os negócios e dobrar o quadro de funcionários.

O advogado Guilherme Abdala, da Teixeira Martins Advogados, explica que uma instituição estrangeira sem autorização do BC não pode realizar operações financeiras no Brasil. Assim, um escritório de representação - como o do Lehman na capital paulista - pode, apenas, prospectar clientes. Quando os negócios forem fechados, o cliente brasileiro tem de, necessariamente, fechar o contrato com o banco nos Estados Unidos, diz o advogado.

"Na eventualidade de o banco entrar em concordata (no chamado capítulo 11), em tese a vida continua normalmente no escritório brasileiro. Mas o fato é que um escritório significa um ativo e isso pode ser vendido para que o banco faça caixa", diz Abdala.

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